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Corrupção ameaça entrada do Brasil na liga dos ricos, diz OCDE | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A corrupção pode ser um obstáculo para que os chamados BRICs (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) entrem para o grupo privilegiado das grandes economias do mundo nas próximas décadas, segundo o chefe da Divisão Anticorrupção da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Patrick Moulette. "A corrupção é um problema muito sério que os BRICs e outros países deveriam levar em conta, pois põe em risco o crescimento sustentado a longo prazo", diz ele. "Por isso, países que estão em alto estágio de desenvolvimento, que estão saindo do estágio de desenvolvimento para o de desenvolvido, deveriam levar essa questão muito a sério." Moulette explica que nos últimos anos, depois do lançamento da convenção contra a corrupção da própria OCDE e da Organização das Nações Unidas (ONU), houve uma mudança de mentalidade em relação ao problema da corrupção no mundo. Atualmente, segundo ele, existe a consciência cada vez maior entre os países de que se parecem ter risco elevado em termos de corrupção, podem esperar uma queda nos investimentos diretos estrangeiros. Desigualdade "As próprias empresas não vão querer correr o risco de aceitar pagar suborno para não correrem o risco de ser processadas no país de origem delas por causa do pagamento dessas propinas", diz. Para ele, a corrupção também contribui para piorar os problemas sociais dos países. "A corrupção agrava a desigualdade dentro dos países pelo simples fato de que desvia os recursos dos programas de governo que valem a pena do ponto de vista social e econômico", observa. "O suborno e o resultado do suborno não obedecem nenhuma lógica econômica, eles seguem apenas os objetivos criminosos individuais. Portanto, é comum que práticas corruptas também corroem a sociedade civil em todos os seus aspectos." Corrupção nos ricos Moulette discorda das avaliações existentes que ligam a corrupção os estágio de desenvolvimento dos países. Segundo ele, para existir corrupção, "é preciso haver as pessoas que pagam ou oferecem o suborno e as que recebem". Normalmente, na sua avaliação, os que pagam subornos estão em empresas dos países desenvolvidos. "É fácil dizer que os países em desenvolvimento são corruptos, mas não é verdade", insiste. Ele também não endossa a percepção de que existem mais casos de corrupção nos países em desenvolvimento do que nos desenvolvidos. "Mesmo na Europa, e eu não vou mencionar nomes, há histórias de corrupção no mundo da política. Talvez não nos países do norte, mas há casos em outros países. A questão básica é que qualquer país pode ser afetado por corrupção", diz. Moulette diz que a resposta dos países para o problema da corrupção no mundo ainda é lenta. Apenas 30 países ratificaram a convenção da ONU contra a corrupção. Dos quatro BRICs, apenas o Brasil assinou e ratificou a convenção contra corrupção da OCDE, segundo ele. O Brasil também é integrante do grupo de combate à corrupção da OCDE. |
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