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Corrupção ameaça entrada de países em desenvovimento na liga dos ricos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A corrupção pode impedir as perspectivas de crescimento acelerado dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) – o grupo de países em desenvolvimento que têm mais chances de entrar para o clube das maiores economias do mundo nas próximas décadas, segundo a previsão dominante entre os analistas internacionais. Segundo o chefe da Divisão Anticorrupção da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Patrick Moulette, a corrupção põe em risco o crescimento sustentado e a transição dos BRICs da categoria de países em desenvolvimento para países desenvolvidos. O Banco Mundial reforça essa posição. O economista Daniel Kaufman, diretor dos programas de governança do banco, disse à correspondente da BBC Brasil em Washington, Denize Baccocina, que o combate à corrupção é crucial para que esses países consigam entrar no mundo dos países ricos. Renda Empresários ligados a multinacionais instaladas no Brasil disseram ao repórter da BBC Brasil em São Paulo, Diego Toledo, que a corrupção já atrapalha os investimentos no país. A redução desse problema também é fundamental para reduzir a desigualdade social, segundo os dois especialistas. Kaufman disse que uma melhora "substantiva" no controle da corrupção pode levar um país a triplicar a renda média da população. A corrupção afeta os quatro BRICs, e existem até mesmo acusações parecidas. Na Índia, por exemplo, existem alegações ligando casos de suborno e políticos que guardam alguma similaridade com as recentes acusações de suposto pagamento do "mensalão" a parlamentares no Brasil. Em setembro do ano 2000, o ex-primeiro-ministro da Índia Narasimha Rao foi condenado em primeira instância em um processo no qual ele e outros ministros eram acusados de ter comprado votos de parlamentares, segundo a repórter Pallavi Majumdar. De acordo com a versão da acusação, o ex-primeiro-ministro só conseguiu sobreviver a um voto de desconfiança no Parlamento no ano de 1993 porque teria pago pelo apoio de parlamentares de partidos pequenos. No fim do escândalo, Rao foi absolvido em julgamento de segunda instância por falta de provas. Negócio Na Rússia, a corrupção é um negócio de US$ 316 bilhões por ano, metade do PIB da Índia e pouco menos de um terço do PIB da própria Rússia, segundo os cálculos do Indem, um respeitado instituto de pesquisas do país. O repórter da BBC Famil Ismailov diz que a corrupção atinge a vida diária do cidadão comum, que muitas vezes teria que pagar propina no trânsito, para entrar na universidade ou para ter atendimento médico. Também na política russa, a corrupção é elevada, de acordo com o analista político Anatoli Sosnovski. "Na política, a corrupção existe a nível municipal ou regional, quando os deputados ou autoridades locais favorecem certos grupos econômicos em troca de pagamento ou da participação nos interesses desses grupos e existe também no nível federal, mais alto", disse Sosnovski. Ranking O Brasil seria o menos corrupto dos quatro países que integram os BRICs, segundo estudos do Banco Mundial. Kaufman diz que a luz da corrupção é "amarela" no Brasil e pode chegar a "verde" se forem tomadas medidas mais efetivas para se combater o problema. Moulette contou que o Brasil é o único dos BRICs que já assinou e ratificou a convenção da OCDE contra a corrupção. O Brasil também tem a melhor posição no ranking de corrupção da ONG Transparência Internacional (TI) do ano passado. A Transparência Internacional divulga o ranking deste ano nesta terça-feira. |
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