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Atualizado às: 17 de outubro, 2005 - 11h06 GMT (08h06 Brasília)
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Para Bird, combate à corrupção pode triplicar renda

favela brasileira
Bird: Má distribuição também é problema para desenvolvimento
Uma melhora "substantiva" no controle da corrupção pode levar um país a triplicar a renda média da população, diz o economista Daniel Kaufman, diretor dos programas de governança do Banco Mundial.

"Demora algum tempo, às vezes várias gerações, mas os resultados são enormes", afirma.

"O combate à corrupção é crucial para o crescimento e também para desenvolvimento sócio-econômico."

Segundo Kaufman, o combate à corrupção é fundamental para que os chamados BRICs (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) entrem "no clube dos países mais ricos".

Ele diz que, como as potenciais grandes economias do futuro, os quatro precisam atacar o problema da corrupção se quiserem realmente crescer de forma sustentada.

Diferenças

Kaufman diz que vários estudos já mostraram que, além da economia, a corrupção tem impacto na mortalidade infantil, analfabetismo e na melhor distribuição de renda.

Segundo ele, porém, embora os quatro países sofram com o problema, estão em estágios bem diferentes.

"No Brasil, a situação é muito diferente da Rússia, onde a corrupção é sistêmica e atingiu uma proporção enorme nos últimos anos", diz ele.

Mas Kaufman diz que não há espaço para complacência no Brasil.

As acusações recentes, envolvendo o Partido dos Trabalhadores (PT) e o governo, não são necessariamente uma coisa ruim, na opinião dele.

"Crises sempre aparecem. O importante é saber como o governo lida com elas. Pode ser uma oportunidade para mudar as coisas", opina.

Ele não quis avaliar se o governo Lula está aproveitando a oportunidade. "Ainda é cedo para saber."

'Luz amarela'

Um estudo do Banco Mundial com 209 países coloca o Brasil em 95º numa escala em que o primeiro é o menos corrupto.

Dos quatro países, o Brasil é o que está melhor nas pesquisas do Banco Mundial, mas Kaufman diz que a situação deveria ser muito melhor.

"O Brasil está com luz amarela. Não é vermelha, mas é possível dar um passo adiante e ficar na luz verde", avalia o especialista, autor de vários estudos sobre corrupção para o Banco Mundial e o Fórum Econômico Mundial.

Kaufman calcula em US$ 1 trilhão o montante pago em corrupção anualmente em todo o mundo, o equivalente a 3% do PIB mundial.

Ele diz que a corrupção também afeta o investimento, tanto doméstico quando estrangeiro, em países onde ela é muito elevada.

Vizinho

Os números mais recentes do Relatório de Competitividade do Fórum Econômico Mundial mostram que, na Rússia, a corrupção é a principal preocupação de 56% dos empresários.

No Brasil, é a principal preocupação de 29% das empresas, na Índia de 42% e na China de 38%.

Ele compara esses países com o Chile, onde a corrupção é citada por apenas 7% dos empresários como o principal problema.

"Não é preciso ser um país rico para ter bons indicadores de governança", diz Kaufman.

Embora tenham situações bastante distintas, o ponto comum entre os quatro países, na avaliação de Kaufman, é o excesso de regulamentação, o que acaba facilitando a cobrança de pagamentos "por fora".

Essa também é a opinião de Edwin Truman, especialista do Instituto de Economia Internacional, de Washington, e autor do livro Chasing Dirty Money (Correndo atrás do dinheiro sujo), sobre lavagem de dinheiro.

'Por fora'

Truman diz que corrupção acontece em todo o mundo, mas é mais comum em países com instituições fracas e excesso de regras.

"Quanto mais regras para tocar um negócio, mais oportunidades de usar essas regras para tirar dinheiro das pessoas", diz Truman.

Os quatro países sofrem com a combinação destes dois fatores, segundo ele.

"A Rússia tem uma economia dominada por recursos naturais e isso facilita a corrupção; o Brasil também tem recursos naturais, mas tem uma economia diversificada; a China tem problemas com o sistema político, entre um sistema totalitário e uma economia aberta e a Índia tem uma longa história de regulamentações muito pesadas e é muito difícil fazer negócios no país", diz.

O excesso de regras também é um problema especialmente grave no Brasil, segundo Truman.

"Se o país tem uma centena de requerimentos para montar um negócio, é uma centena de obstáculos e uma centena de oportunidades de as pessoas dizerem: me dá algum dinheiro por fora", diz ele.

Além da simplificação das regras, Kaufman também cita democracia – "de verdade, não apenas o fato de ter eleições" –, transparência na declaração de bens dos governantes e um sistema de meritocracia no serviço público como fatores importantes para combater a corrupção.

"Outro grande desafio, em toda a América Latina, é uma reforma do sistema de financiamento das campanhas políticas", afirma.

Comparação

Na pesquisa Governança e Anti-corrupção, do Banco Mundial, dos quatro países apenas o Brasil está acima da média mundial no controle à corrupção.

Numa escala de 0 a 100, o Brasil se classifica com um índice de 53,2%, o que significa que o controle da corrupção no país é melhor do que 53,2% dos países da pesquisa.

A média mundial é 49,8%, mas a média dos países desenvolvidos é bem maior, de 91%.

A Índia está um pouco abaixo da média, com 47,3%. A China fica com 39,9% e a Rússia só está melhor do que 29,1% dos países, de acordo com a pesquisa.

Para efeito de comparação, os Estados Unidos estão melhores do que 92,6% dos países, de acordo com a pesquisa do Banco Mundial, que usa dados fornecidos por governos e entidades não-governamentais dos próprios países e internacionais na avaliação.

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