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Atualizado às: 28 de setembro, 2005 - 14h04 GMT (11h04 Brasília)
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Livro traça perfil de prostitutas brasileiras em Portugal

Total de prostitutas passa de 6,5 mil em Portugal, segundo estimativas
Um livro lançado em Portugal nesta semana traça um perfil inédito das prostitutas brasileiras que vivem no país, vítimas de esquemas ilegais de tráfico humano.

Imigração e Etnicidade – Violências e Trajetórias de Mulheres em Portugal, editado pela organização não-governamental SOS Racismo, traz artigos inéditos escritos por pesquisadores sobre o assunto e textos de ativistas e jornalistas.

Num artigo sobre tráfico de mulheres brasileiras, há um perfil delas: “A maioria é formada por jovens de 20 a 30 anos. A maior parte vem do Nordeste e é semi-analfabeta ou analfabeta”, resume a pesquisadora Catarina Sabino.

Ela destaca que não há estatísticas precisas sobre o número de prostitutas imigrantes atuando no país. Mas uma estimativa do Instituto Europeu para a Prevenção e Controle do Crime aponta para a existência de 6,5 mil prostitutas em Portugal – das quais mais de 50% são estrangeiras.

Sabino disse que acredita que as brasileiras formam o maior grupo de prostitutas estrangeiras no país, mas ressalta que é complicado se ter certeza disso.

“É muito difícil saber o número certo. Se já é difícil saber o número de outras profissões, nessa área, que envolve criminalidade, a dificuldade é ainda maior.”

Tráfico

Segundo ela, a maioria dessas mulheres chega a Portugal em esquemas de tráfico humano.

“A rede de tráfico é simples, formada por duas ou três pessoas. Elas tratam do passaporte das mulheres e do dinheiro que elas devem ter para atravessar a fronteira. Em geral, o responsável é um português que tem aqui uma casa de prostituição e tem contato com uma cafetina no Brasil. Algumas sabem que vêm para a prostituição, outras não”, diz Sabino.

 Geralmente elas vêm via Paris ou Madri. Elas recebem um grande montante de dinheiro para poder passar a fronteira. Mal chegam, são levadas às casas de prostituição, e a passagem e os documentos são confiscados
Catarina Sabino, pesquisadora

De acordo com a pesquisadora, que trabalha no Instituto Superior de Economia e Gestão, de Lisboa, por causa dos controles mais rígidos na fronteira portuguesa, muitas têm optado por um caminho indireto para chegar ao país.

“Geralmente elas vêm via Paris ou Madri. Elas recebem um grande montante de dinheiro para poder passar a fronteira. Mal chegam, são levadas às casas de prostituição, e a passagem e os documentos são confiscados”, afirma.

Num prostíbulo em Lisboa, uma piauiense se dedica a fazer os clientes pagarem bebidas. Identificando-se apenas como Lili, ela conta como veio parar em Portugal.

“Eu vim para cá porque tinha um namorado que conheci no Brasil, que é português. Eu vim para cá, não deu certo e arrumei a minha vida, trabalhando na noite”, disse.

De Brasília, uma garota de programa que não quis revelar o nome, contou como foi o caminho para uma casa de prostituição na noite portuguesa.

“Eu estou aqui há pouco tempo, só dois dias. Vim porque minha amiga veio, me convidou para vir e eu vim também.”

Imagem

A grande quantidade de garotas de programa brasileiras em Portugal acaba prejudicando a imagem de todas as mulheres com sotaque do Brasil, segundo o pesquisador Eder Diniz, também autor de um dos artigos o livro.

“Nós temos uma questão cultural que é extremamente importante ser analisada”, diz ele.

“Por um lado, a mulher portuguesa é um pouco mais fechada, recatada. Por outro lado, temos a mulher brasileira que é mais expansiva, mais dada, consegue falar mais abertamente”, continua.

“Isso, aliado à grande presença de prostitutas brasileiras em Portugal, acaba criando a idéia na sociedade portuguesa de que a mulher brasileira é fácil.”

Sobre a forma como a imprensa portuguesa ajuda a criar essa imagem, Eder afirma que são poucas as vezes em que notícias tratam das mulheres brasileiras em situação não ligada à prostituição.

Todas as vezes que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras entra em prostíbulos para verificar se as estrangeiras estão legalmente no país, é comum ver os noticiários sempre relatando a existência de brasileiras entre as garotas de programa.

O livro traz ainda artigos sobre como as várias mulheres imigrantes de várias nacionalidades vivem e são vistas em Portugal.

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