|
Brasileira chefiava rede de prostituição na França | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma rede de prostituição comandada por uma brasileira de São Luís (MA) foi desmantelada na capital francesa. A rede, liderada por Ronizie Serpa Martins, oferecia os serviços de oito prostitutas brasileiras. O grupo atuava havia pelo menos cerca de dois anos em Paris e em uma cidade da periferia. Segundo Guy Parent, chefe de uma divisão de combate ao lenocínio da Prefeitura de Polícia de Paris (equivalente à uma secretaria municipal de segurança), oito pessoas foram detidas no total. Parent disse à BBC Brasil que, além de Martins, foram presos outros quatro brasileiros, dois franceses (o marido de Martins e o criador de sites na internet usados para atrair os clientes) e um angolano, responsável por aplicar o dinheiro obtido com a prostituição. A Justiça francesa deverá decidir em breve se os acusados aguardarão em liberdade ou não o julgamento, que deverá ocorrer no próximo ano. Na avaliação de Parent, Martins deverá permanecer na prisão. Como turistas "Ela (Martins) se ocupava de tudo. Organizava a vinda das prostitutas para a França, a moradia e toda a gestão do dia-a-dia delas no país. Ela era a cabeça da organização e dispunha de uma infra-estrutura importante para administrar a atividade", disse Parent. "Até mesmo a pessoa encarregada de atender os telefonemas dos clientes para marcar os encontros tinha uma assistente." As oito prostitutas que no momento trabalhavam para o grupo têm idades que vão de cerca de 20 até 40 anos. Elas são também de localidades distintas: São Luís, Recife, Anápolis, Rio Negro, Pantalina, Barra do Corda, Itapirapuá, Avelinópolis. As mulheres contratadas por Ronizie Martins permaneciam na França somente durante três meses, prazo legal concedido a turistas em geral, sem necessidade de visto. Após esse período, elas retornavam ao Brasil, e outras as substituíam, afirmou Parent. Nenhuma delas é, portanto, clandestina. Todas foram liberadas após interrogatório. Mas foi detida uma outra prostituta brasileira, que fazia parte da rede e ganhava dinheiro com as atividades das outras mulheres. Dinheiro As prostitutas ganhavam entre 160 (R$ 567) e 360 euros (R$ 1.276) por serviço e chegavam a ter cinco clientes por dia. "Apreendemos 90 mil euros (R$ 319 mil) em dinheiro durante a operação de busca e apreensão no domicílio de Ronizie e nos locais onde as moças se prostituíam. Descobrimos também que pelo menos 40 mil euros (R$ 142 mil) foram enviados ao Brasil e à Espanha", disse Parent. Elas se prostituíam em três apartamentos diferentes. Dois ficavam em Paris, e um, na periferia da capital. Cerca de dez sites na internet foram criados para anunciar as mulheres. Os clientes telefonavam para um número divulgado no site e marcavam os encontros nos apartamentos. 'Madame Claude' Telefonemas de vizinhos, que achavam "estranho" o vai-e-vem nesses apartamentos, por onde circulavam "várias moças bonitas" o dia todo, colocaram a polícia na pista da rede de prostitutas, disse Parent. A rede foi desmantelada na terça-feira. Nesses últimos dias, a polícia realizou interrogatórios, operações de busca e apreensão, analisou os computadores de Martins, fez confrontações entre os acusados e ouviu depoimentos das prostitutas. Os acusados foram indiciados por "lenocínio com agravante", já que foi constatada a atuação de inúmeras pessoas. A maranhense, como líder da rede, está sujeita à pena mais grave: até dez anos de prisão e multa de 1,5 milhão de euros (cerca de R$ 5,5 milhões), afirmou Parent. Ela vem sendo chamada pelos policiais de "Madame Claude", uma referência a outra mulher que criou há alguns anos uma grande rede de prostituição em Paris na qual trabalhavam 200 prostitutas. "É um jargão da polícia quando temos uma mulher na chefia de uma rede desse tipo", disse Parent. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||