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Arábicas: Egípcios ainda estão longe dos bancos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os bancos ainda estão bem longe da vida da grande maioria dos egípcios. Contas, por exemplo, raramente são pagas através de instituições financeiras. Cobradores vem de porta em porta recolher o pagamento da água, da eletricidadde e também de serviços, como internet de alta-velocidade, TV via satélite e assinaturas de jornal. Segundo um estudo feito pela Câmara Americana de Comércio no Cairo, há no Egito menos de 8 milhões de contas bancárias e cerca de 1,6 milhão de cartões de crédito, para uma população de mais de 70 milhões de pessoas. O Brasil tem cerca de 80 milhões de contas correntes e mais de 52 milhões de cartões de crédito para uma população de 170 milhões de habitantes. Alternativas A falta de um sistema bancário que atenda às necessidade do país mais populoso e com umas economias mais importantes do Oriente Médio preserva algumas antigas tradições no trato com o dinheiro. Uma delas é uma espécie de micro-cooperativa - para empréstimo e poupança – chamada de "gameea" Um grupo de pessoas – dez, por exemplo – contribui mensalmente com uma determinada quantidade de dinheiro – digamos, 1000 libras egípcias – para um fundo comum. Durante dez meses todos pagam e a cada mês uma das pessoas do grupo leva o bolo. A ordem de retirada é definida em comum acordo ou por sorteio. Em geral o primeiro a pegar o dinheiro é o organizador da “gameea”, que muitas vezes começa tudo por estar precisando de algum dinheiro rápido. Para os que preferem tirar o dinheiro no fim da “gameea” o sistema é um maneira de poupar para saldar alguma dívida ou fazer uma compra de maior valor. Não tem nada a ver com corrente, pirâmide ou qualquer outro destes esquemas de enriquecimento. O freguês sabe exatamente quanto vai pagar e com quanto vai sair. Salários Ao contrário do que acontece no Brasil e em outros grandes países em desenvolvimento, não são apenas as classes mais baixas que têm pouco acesso às contas bancárias. Mesmo os salários de profissionais mais qualificados são normalmente pagos em dinheiro vivo. O ouro – o mais palpável dos investimentos – é uma modalidade muito popular de poupança. O governo egípcio tem planos de vender participações nos 4 bancos comerciais que possui (os maiores do mercado) e está dando incentivos para o desenvolvimento das 32 instituições estrangeiras que atuam no país. Os ministros da área econômica do presidente Hosni Mubarak são todos liberais e têm a firme intenção de desenvolver o sistema bancário egípcio. Além de conseguir que os bancos invistam mais no país, também vão ter a difícil missão de mudar antigos hábitos da população. |
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