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Arábicas: Egípcios vivem uma inédita experiência eleitoral | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A quarta-feira, dia 7, começou como um dia normal de verão no Cairo: muito quente, todas as lojas abertas, congestionamento e gente por todos os lados. Só prestando atenção dava para notar que neste dia 7 de setembro o país tinha a primeira eleição presidencial com mais de um candidato em sua história. A certeza de que o presidente Hosni Mubarak vai ganhar um quinto mandato de seis anos deixou muita gente apática. O movimento nas escolas da capital, transformadas em seções eleitorais, era baixo. Os cartazes que os candidatos espalharam pelas ruas nas últimas semanas de campanha continuavam expostos, demonstrando que havia uma disputa acontecendo. Mas tanto autoridades como cidadãos comuns deixavam transparecer, no modo como se comportavam nesse dia (que muita gente classificou de histórico), a sua falta de experiência eleitoral. Confusões Até o dia da votação ainda havia algumas dúvidas sobre quem poderia ou não votar. Algumas autoridades diziam que só quem tivesse título de eleitor e cidadão poderia depositar o seu voto. Outras afirmavam que bastava uma cédula de identidade, desde que o eleitor estivesse votando no distrito onde havia sido originalmente registrado. No fim das contas, cada seção acabou fazendo de um jeito, aumentando os temores de fraude expressados por diversos grupos de oposição e de direitos humanos. Comícios Nos comícios de candidatos durante a campanha, era comum ver egípcios acompanhando discursos e aplaudindo um candidato que não era necessariamente o dele, tudo pelo gosto de estar participando de um acontecimento inédito no país. Embora muitos critiquem a eleição, argumentando que o sistema foi montado sob encomenda para garantir a vitória do governo, quase todos (na situação e na oposição) concordavam que era melhor que ela acontecesse. Os egípcios já vivem sob leis de emergência, que limitam a liberdade de expressão e atividade política, há 25 anos. A esperada vitória do presidente não significava que essas pessoas estivessem satisfeitas com o estado do país ou achassem que as coisas não precisem mudar. Mas, depois de tanto tempo com o mesmo presidente, os egípcios praticamente não conhecem outros políticos de expressão nacional suficientemente a fundo para deixar o país em suas mãos. O presidente Mubarak prometeu mais democracia se ganhasse um novo mandato, inclusive a subtituição das antigas leis de emergência por uma nova legislação, mais branda, mas que “permita o combate ao terrorismo”. Reformas A nova lei eleitoral pode ter sido muito criticada pelos oposicionistas, mas todos dizem que a decisão do presidente foi resultado direto da pressão da sociedade egípcia. Alguns dos mais fortes grupos de oposição, que não participaram das eleições porque decidiram boicotar ou foram impedidos de apresentar candidatos, prometem intensificar ainda mais os protestos contra o governo depois destas eleições. Nos últimos meses as manifestações contra Mubarak no Egito já vinham se tornando maiores e mais constantes. É quase certo que o presidente vai ganhar mais um mandato, mas, se de fato ele cumprir a promessa de fortalecer a democracia no país, deve ouvir cada vez mais barulho vindo do lado oposicionista. |
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