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Atualizado às: 06 de setembro, 2005 - 10h02 GMT (07h02 Brasília)
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Irã precisa de anos para ter arma nuclear, diz estudo

Oficial de segurança iraniano em planta nuclear de Isfahan
Irã diz querer tecnologia nuclear para gerar energia
Um estudo publicado nesta terça-feira pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), com sede em Londres, diz que o Irã ainda precisaria de vários anos para conseguir desenvolver armas nucleares.

O instituto avaliou as atividades nucleares, químicas, biológicas e de desenvolvimento de mísseis de longo alcance do país, que recentemente retomou seu programa nuclear, apesar dos protestos da comunidade internacional.

O estudo, chamado Programas de Armas Estratégicas do Irã, diz que um enfrentamento diplomático do Irã com a União Européia e os Estados Unidos, que insistiram para que o país não reativasse seu programa, seria inevitável.

O Irã afirma que busca a tecnologia nuclear para alimentar seus reatores de geração de energia. Mas esse tipo de tecnologia poderia também permitir a obtenção de material físsil para uma bomba.

Barreiras técnicas

O Irã enfrenta duas grandes barreiras técnicas antes de poder desenvolver uma arma nuclear, de acordo com o relatório: em primeiro lugar, produzir suficiente material físsil e, em segundo, construir uma ogiva funcional.

O estudo traz poucas revelações sobre os potenciais dos programas químicos e biológicos do Irã.

Mas ele dá detalhes sobre o programa de mísseis de longo alcance, no qual diz ter havido avanços técnicos consideráveis nos últimos anos.

O Irã parece estar focado em ampliar seu sistema de mísseis Shahab-3, uma variação de um míssil norte-coreano, capaz de atingir alvos em Israel, na maior parte da Turquia e no sul da Rússia.

Contenção tensa

Embora leve em conta a história política e o progresso dos programas nucleares iranianos desde suas origens no final dos anos 1950, o documento não procura fazer uma análise das intenções políticas do Irã. O que importa para os especialistas em controle de armamentos é o quanto o Irã está avançado em seu objetivo de produzir e enriquecer urânio.

Segundo o relatório, o país reconheceu uma longa história de atividades nucleares não declaradas, por mais de 20 anos.

E é esse padrão de atividade que explica a exigência da União Européia, apoiada pelos americanos, de que o Irã deveria voluntariamente abrir mão de qualquer capacidade de enriquecer urânio.

Até agora, o Irã tem aceitado de bom grado algumas restrições temporárias em suas atividades por razões políticas. Mas os autores do estudo não estão otimistas sobre a continuidade dessa contenção.

A recente decisão do Irã de retomar a conversão de urânio ameaça ser levada ao Conselho de Segurança da ONU, num processo que poderia eventualmente levar a sanções contra Teerã.

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