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Atualizado às: 05 de setembro, 2005 - 09h00 GMT (06h00 Brasília)
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Adeus, Leicester Square
Ivan Lessa
A velha canção cantada pelos soldados da Primeira Guerra Mundial falava em se despedir de Piccadilly e de Leicester Square. Esta última está pelando mais de um século depois.

Parece que para os jornais, Leicester Square virou o centro mundial de tudo quanto é Casanova, aqueles camaradas que só vivem para “pegar mulher na base da cantada” – se é que ainda se diz assim.

Uma reportagem no Sunday Times, de domingo passado, afirma que há instrutores especiais para iniciar os principiantes na arte da cantada, com sedução garantida em dez minutos.

São os PUAs, como dizem em inglês: pick-up artists, artistas da arte da conquista. Toda sexta e todo sábado lá estão eles batendo ponto.

Cobram mais caro do que as senhoras e senhoritas do bairro contíguo, o Soho: mais de 2 mil dólares para chegar e dar o serviço, ou, pelo menos, como se faz o serviço, para aqueles que buscam a iniciação. Em dez minutos, frisemos.

Numa reportagem de oito colunas, o jornal publica um glossário dos artistas envolvidos no processo.

O Times incluiu ainda entrevista com um sujeito chamado Strauss, residente em Los Angeles, que pretende publicar um livro a respeito.

Fala Strauss: “Muitas mulheres querem ir para a cama com um cara. O negócio é fazer com que elas se sintam à vontade com sua vontade” – e esclareço que o infame joguinho de palavras é meu, só meu.

Strauss acrescenta um baita de um lugar-comum: “Conquistar uma mulher é uma arte e não uma ciência.”

E, lá mesmo, em Leicester Square, “fisgou” tudo quanto é tipo de mulher, de supermodels a donas de casa.

Então tá. Leicester Square mudou bastante se tem supermodel dando sopa por aquelas bandas, silicone esbarrando em silicone de dona de casa.

Strauss dá uma amostra grátis de seu método infalível para se chegar e abordar uma supermodel, ou dona de casa: é só chegar e perguntar, “Escuta, será que você poderia me ajudar a resolver uma dúvida?”

Honestamente, eu sou mais aquele papo em que o malandro perguntava pra madame levando o totó para passear: “O cachorrinho tem telefone?”

Em geral tinha e era dado na hora. Mas isso são outras mentiras.


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