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Sistema de comportas facilitou enchente em Nova Orleans | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Por várias geracões, muitos dos que vivem e trabalham em Nova Orleans temiam pelo pior. A cidade fica numa região ampla e rasa situada bem abaixo do nível do mar, por onde corre o rio Mississippi. Ela fica à beira de um enorme lago que tem quase o dobro de sua área. E, para complicar mais, ao sul fica o Golfo do México, um dos pontos do planeta mais propícios a furacões. Após uma cheia do rio Mississippi ter provocado grande devastação em 1927, as autoridades projetaram e construíram um complexo sistema de comportas. Mesmo assim, a prefeitura não teve outra opção quando as previsões diziam que o furacão Katrina passaria sobre Nova Orleans: ordenaram a evacuação da população. Barragens O sistema de barragens foi construído para resistir a uma forte tempestade de categoria 3. Ao surgir nos mapas meteorológicos, Katrina era um furacão de categoria 5 – o mais forte a percorrer o Atlântico em décadas. Quando subiu o nível das águas do lago Pontchartrain, ao norte da cidade, e do rio Mississippi, ao sul, duas comportas não resistiram à pressão. As águas do lago tomaram as ruas do centro de Nova Orleans. Os especialistas, porém, afirmam que uma falha "catastrófica" do sistema felizmente foi evitada. O pior não veio graças a um desvio de última hora na rota do furacão. Mas as mesmas comportas que salvaram Nova Orleans de enchentes mais graves também são parte da razão da destruição parcial que é vista agora. Ao longo dos anos, esse sistema de proteção teve efeitos sobre o rio Mississippi. Sem o fluxo natural para alimentar o pântano do delta com nutrientes, grandes porções do lodo que recobria as margens do rio desapareceu. Áreas pantanosas à beira do rio são bem mais resistentes aos efeitos de um furacão que as vias de concreto das regiões urbanizadas. A erosão das margens fez com que as chuvas caíssem no rio Mississipi e no lago, em vez de atingir a região do delta. Dois dias após a tempestade, o nível das águas já baixou no lago e no rio, mas a cidade continua um pântano lamacento. As dezenas de barragens que suportaram intactas a fúria do furacão agora dificultam o escoamento das águas. O prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, afirma que os moradores devem ter se esperar até quatro meses para voltarem às suas casas. Mas deve levar bem mais tempo para que seja restaurada a confiança no sistema de proteção contra enchentes. |
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