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Mundo árabe vê nova liderança iraniana com ambigüidade | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O mundo árabe recebeu com ambigüidade a subida ao poder do novo governo iraniano. Por um lado, alguns governos temem o fortalecimento do Irã como potência regional, de olho na antiga história de conflito do país com a região. De outro, grupos islâmicos em muitos dos países árabes vêem com bons olhos o fortalecimento de um governo linha-dura e ortodoxo. "O Irã sempre foi um gigante militar, vizinho de países bem menores aqui no Golfo. Agora que o Iraque está enfraquecido (e não serve como contraponto ao Irã) a situação parece ainda mais delicada", diz o cientista político da Universidade dos Emirados Árabes Unidos, Abdel Khalik Abdallah. A população iraniana é principalmente de etnia persa, que tem conflitos milenares com os árabes. Na história recente, a desconfiança foi ampliada pela Revolução Islâmica de 1979. Desde que o xá Raza Pahlevi foi derrubado, governo árabes – como muitos ocidentais – temem que o islamismo se espalhe pela região. Islamismo Os grupos islâmicos estão ganhando cada vez mais força em muitos países árabes, em alguns casos dentro das estruturas de poder e em outros com organizações clandestinas. É exatamente entre estes grupos que o novo governo iraniano acaba encontrando mais aceitação. "O novo presidente do Irã está procurando propagar o exemplo do islamismo global, que é um idéia que preocupa o Ocidente mas que é muito bem vista no mundo islâmico. Esperamos que Ahmadinejad vá melhorar as relações do Irã com países como a Arábia Saudita, o Egito, o Paquistão e a Turquia", escreveu o articulista do site Islam On Line, baseado no Catar, Mohamed Gamal Araf. O veterano jornalista egípcio Fahmi Howadi – um islamista especializado em assuntos iranianos – escreveu no mesmo site que "os americanos estão agora colhendo o extremismo que eles mesmo semearam." "Os iranianos escolheram um presidente linha-dura para fazer frente à linha-dura dos Estados Unidos", afirma o jornalista. Outros comentaristas da oposição também elogiaram o novo presidente do Irã como um líder mais identificado com as classes mais baixas da sociedade e interessado em promover a distribuição de riqueza. Armas nucleares O medo de que o Irã possa estar no caminho do desenvolvimento de armas nucleares também provoca algum receio nos vizinhos embora alguns analistas cheguem a ver a força do Irã mais como um fator de estabilização no Oriente Médio. A lógica por trás deste raciocínio é que mesmo que iranianos e árabes não se entendam bem, eles ainda podem contar uns com os outros no caso de necessidade de uma aliança contra Israel que é, atualmente, o único país da região que tem armas nucleares. O pesquisador Abdel Khalik Abdallah diz que é possível que este equilíbro faça sentido, mas apenas no curto prazo. "O que queremos é um Oriente Médio livre de armas atômicas. Israel com armas atômicas é um problema e ter mais um país na região com este tipo de capacidade só vai ser um problema ainda maior", disse. "Se o Irã acabar produzindo armas atômicas, outros países também vão acreditar que podem e devem fazer o mesmo." Síria Entre os países árabes, o que deve ficar com a posição de aliado mais próximo do Irã é a Síria. Os dois países já fecharam um acordo neste ano – constituído mais de princípios do que de medidas práticas – de resistência aos Estados Unidos. O documento foi assinado no auge da pressão ocidental sobre o presidente sírio, Bashar al-Assad, para que ele retirasse suas tropas do Líbano, o que ele acabou fazendo. "Faz sentido agora que o Irã e a Síria se aproximem contra o inimigo comum americano mas espero que eles não abusem desta aliança porque existe sempre o risco de os Estados Unidos acharem que está na hora de atacar um deles", disse o pesquisador Abdallah. "Espero que isto não aconteça porque a nossa região não tem condições de agüentar mais uma guerra", concluiu. |
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