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Democratas criticam, mas ONU aceita Bolton | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A confirmação de John Bolton para o cargo de embaixador americano na Organização das Nações Unidas (ONU) provocou críticas de políticos do Partido Democrata, mas teve uma recepção positiva na própria organização nesta segunda-feira. O presidente americano George W. Bush nomeou Bolton durante o recesso do Congresso, depois de ele não ter sido confirmado pelos senadores durante quase cinco meses. A confirmação vale até o fim do mandato atual do Congresso, em janeiro de 2007. “Eu acho que (a nomeação do representante americano) é uma prerrogativa do presidente, e ele decidiu apontá-lo através desse processo. De minha parte, nós vamos trabalhar com ele como trabalhamos com qualquer outro representante permanente dos Estados Unidos”, disse o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. O embaixador brasileiro, Ronaldo Sardenberg, teve uma reação semelhante. “Nós não questionamos nem fazemos nenhum julgamento especial sobre seu status”, disse Sardenberg. “Eu fui questionado várias vezes hoje se nós temos algum tipo de restrição. Não, se ele é um representante oficial dos Estados Unidos, eles têm todo o direito de fazer isso”, afirmou. "Fraco" O líder democrata no Senado, Harry Reid, disse que Bush decidiu enviar à ONU um representante “fraco e com sérios defeitos justamente num momento em que precisamos reafirmar nosso poder diplomático no mundo”. Reid disse que o Senado não votou sobre a indicação de Bolton porque a Casa Branca se recusou a enviar informações e documentos pedidos pelos senadores. “Em vez disso, Bolton vai chegar à ONU com uma nuvem sobre sua cabeça”, afirmou em nota oficial. Já o senador republicano George Allen disse que o presidente Bush “escolheu a única estratégia disponível depois de meses de atrasos e manobras partidárias, com a intenção de arruinar um indicado qualificado e de princípios como Bolton, com seu desejo de fazer uma reforma profunda na ONU”. A possibilidade de uma nomeação durante o recesso parlamentar – um dispositivo permitido pela legislação americana, que tem validade durante o atual mandato do Congresso – vinha sendo levantada desde que se tornou claro que os democratas continuariam bloqueando a votação e exigindo mais documentos sobre as atividades de Bolton quando ocupava o cargo de subsecretário para o Controle de Armas e Assuntos de Segurança Internacional do Departamento de Estado. Bloqueio Mas até esta segunda-feira pela manhã, o primeiro dia do recesso de verão do Congresso, Bush nunca disse que estava disposto a confirmar Bolton por esta via. Embora os republicanos tenham 54 dos 100 senadores, número suficiente para aprovar a nomeação, precisam de 60 votos para levantar o bloqueio e colocar a votação na pauta. Ao justificar a nomeação durante o recesso, Bush disse que o posto não pode ficar vago por mais tempo. “A maioria dos senadores concorda que ele é o homem certo para o posto. Mas ainda assim, por causa de táticas de adiamento (da votação) por um punhado de senadores, John foi teve negado injustamente o voto que ele merece”, afirmou Bush. “Este posto é muito importante para ficar vago, especialmente durante uma guerra e um debate vital sobre a reforma da ONU”, afirmou o presidente. No curto discurso de agradecimento, Bolton disse que se sentia honrado e estava disposto a trabalhar de forma incansável para implementar as políticas do presidente e da secretária de Estado, Condoleezza Rice. “Nós buscamos uma organização mais forte, mais eficaz, fiel aos ideais dos fundadores (dos Estados Unidos) e suficientemente ágil para atuar no século 21”, afirmou. Bush indicou Bolton para o cargo no dia 7 de março. Mas foi somente no dia 12 de maio que a Comissão de Relações Exteriores finalmente aprovou a indicação – ainda assim, sem a tradicional recomendação de voto – e o nome de Bolton foi enviado para o Plenário do Senado. Desde então, os senadores democratas conseguiram evitar que o assunto entre na pauta, enquando não receberem mais documentos sobre a atuação dele no Departamento de Estado. Bolton é acusado de manipular informações no período anterior à guerra no Iraque, de maneira a adaptar os relatórios que recebia e repassar informações que servissem às suas próprias convicções. Bolton também foi muito cobrado por declarações críticas à ONU que fez no passado. Os Estados Unidos apóiam uma reforma geral na organização, mas não aceitam a reforma do Conselho de Segurança, com ampliação do número de integrantes, proposta pelo Brasil. |
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