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Atualizado às: 02 de agosto, 2005 - 06h56 GMT (03h56 Brasília)
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EUA apertam o cerco contra imigrantes brasileiros

Cruz na fronteira entre México e Estados Unidos homenageia mortos na travessia
Cruz na fronteira entre México e EUA homenageia mortos na travessia
O governo americano está apertando o cerco contra os brasileiros que estão cruzando ilegalmente a fronteira do México com os Estados Unidos.

A principal mudança foi a prisão compulsória de todos os estrangeiros que cruzaram ilegalmente a fronteira na região do Vale do Rio Grande, o local preferido dos brasileiros no momento.

Antes, pessoas de outros países que não o México tinham a chance de aguardar a deportação em liberdade até a audiência com o juiz, geralmente marcada para um prazo de 30 a 60 depois de serem pegos pela polícia.

O novo sistema, em vigência desde o início de julho, reduziu em 40% o número de brasileiros encontrados pelos guardas da Patrulha da Fronteira na região do Vale do Rio Grande. Ainda assim, foram 1.340 detenções somente neste mês.

Mais repressão

Os guardas da região, no sul do Texas, vigiam uma área de 500 km ao longo do rio que divide México e Estados Unidos.

Roy Cervantes, porta-voz da Patrulha da Fronteira do Vale do Rio Grande, acha que a repressão maior vai manter as detenções num nível mais baixo.

"Quando as pessoas se derem conta de que vão ser presas e não vão mais ficar aguardando o processo em liberdade isso vai mudar a maneira de operar das quadrilhas que organizam a travessia."

Ele diz que esta área já é um corredor estabelecido das quadrilhas, por causa da localização, mais próxima da América Latina; pelas condições geográficas favoráveis, comparadas às do deserto do Arizona, por exemplo; e a existência de grandes estradas que levam a cidades grandes, como Houston.

Segundo lugar

Os brasileiros começaram a chamar a atenção das autoridades de imigração porque cresceu muito, nos últimos anos, o número dos que são detidos pela Patrulha de Fronteira, principalmente na região do Vale do Rio Grande.

Na lista de nacionalidades de estrangeiros deportados, o Brasil passou de 15º em 2000 para 8º em 2001 e quarto este ano. Na região do Vale do Rio Grande, o Brasil já é o primeiro, depois apenas do México.

Foram 21.387 detidos entre outubro do ano passado e julho deste ano, mais de 20% do total de detenções, incluindo 65 países. Depois dos mexicanos, que representam 41% do total, os brasileiros são o maior grupo.

Policial americano mostra caminho aberto por pessoas que atravessam fronteira pelo rio
Policial americano mostra caminho aberto por pessoas que atravessam fronteira pelo rio

No total, havia, até o dia 18 deste mês, 46.362 brasileiros ilegais nos Estados Unidos, de acordo com as estatísticas enviadas pelo Departamento de Segurança Interna americana ao consulado brasileiro em Houston.

Este número inclui pessoas presas nos centros de detenção – cerca de 450 nos quatro centros do Texas, na avaliação do consulado – e outros que não compareceram à audiência com o juiz e já são considerados ilegais.

Deportados

Apesar da redução no número de apreensões neste mês de julho, os números crescem rapidamente. No início de abril eram 31.974 ilegais em todo o país.

Assim como os fugitivos, o número de brasileiros deportados também cresceu num ritmo acelerado nos últimos dois anos.

Foram 202 em 2000, 500 em 2001, 1.376 em 2002, 2.414 em 2003 e 4.402 no período que vai de outubro do ano passado até julho deste ano.

Em Reynosa, no lado mexicano da fronteira, embora estejam legalmente no país, já que não precisam de visto para entrar no México, os brasileiros mantém a discrição e evitam circular pela cidade.

Moradores contam que nunca vêem brasileiros, embora os vôos da Aeroméxico vindos da capital do país tragam vários passageiros do Brasil nos dois vôos diários. Eles normalmente ficam no hotel à espera do contato com o "coyote" (responsável pelo transporte de imigrantes ilegais) e do momento de atravessar o rio.

O presidente do Centro de Estudos Fronteiriços e de Promoção dos Direitos Humanos, Arturo Solís, denunciou à embaixada brasileira da Cidade do México – sem receber resposta, segundo ele – que os taxistas do aeroporto estavam sendo pressionados pela polícia local a não transportar passageiros brasileiros. "Eles têm que andar até a estrada, correndo riscos de serem assaltados", afirmou.

O jornalista mexicano David Diaz, do jornal local El Cinco, disse que percebeu o fluxo de brasileiros ao olhar as estatísticas de imigração e o movimento no aeroporto da cidade. "Antes em cada vôo vinham dois, agora são 10, 15. Não acredito que todo mundo vem fazer turismo aqui", disse.

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