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Atualizado às: 20 de julho, 2005 - 11h34 GMT (08h34 Brasília)
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Após seis meses do 2º mandato, Bush tem apoio menor

Bush
Bush perde popularidade e apoio do Congresso, apesar da maioria republicana
Seis meses depois do início do segundo mandato, o presidente americano, George W. Bush, vive uma situação pouco confortável, com um dos piores índices de popularidade desde que foi eleito em 2001 e sem apoio nem da população nem do Congresso para projetos que ele próprio colocou como prioridades do seu governo.

Depois de passar os primeiros quatro anos envolvido com as guerras no Afeganistão e no Iraque, o presidente prometeu dar mais ênfase aos assuntos internos no segundo mandato.

Para isso, propôs uma agenda que os analistas consideraram ambiciosa para um segundo mandato, típica de um presidente que não precisa mais se reeleger e quer entrar para a história como um homem que mudou estruturas importantes do país.

"Não foi um desastre, mas foi uma decepção", diz o historiador Thomas Skidmore, professor aposentado da Universidade Harvard, sobre o resultado desses primeiros seis meses de governo, completados nesta quarta-feira.

Iraque

Skidmore lembra que Bush falhou em conseguir apoio para a reforma no sistema de previdência pública, sua prioridade na política doméstica, e não enviou ao Congresso, como havia prometido, um segundo projeto de redução de impostos. Mas o maior fracasso, na avaliação, foi a guerra do Iraque, onde até agora morreram 1.766 militares americanos.

"O presidente prometeu uma guerra muito breve e os americanos ingenuamente acreditaram", diz Skidmore. Ele acha que o restante do mandato vai ser dominado pela guerra, pela tentativa de encontrar uma saída honrosa para deixar o país.

"Bush está perdendo apoio não somente no Congresso, mas também entre os militares, que estão mais pessimistas do que estavam no início do ano."

Uma pesquisa da rede de televisão NBC e do jornal Wall Street Journal divulgada na semana passada mostra que 55% desaprovam a maneira como o governo está lidando com a situação no Iraque. E apenas 7% consideram a reforma da Previdência – que prevê a privatização parcial dos recursos e redução de benefícios – uma prioridade, apesar das dezenas de discursos feitos pelo presidente defendendo o assunto.

Bush também não foi, até agora, bem-sucedido nos dois assuntos de interesse da América Latina para os quais prometeu prioridade: a aprovação do Cafta-RD (o acordo de livre comércio com República Dominicana e cinco países da América Central) e mudanças na lei de imigração para mexicanos.

"Estados Unidos e América Latina parecem mais distantes agora do que no fim do ano passado", avalia Peter Hakim, presidente do Diálogo Interamericano, uma organização de Washington especializada em assuntos ligados à região.

A aprovação do Cafta-RD, que foi objeto até agora de vários discursos do presidente – o mais recente deles na sexta-feira passada e o próximo nesta quinta-feira –, foi aprovado por pouco no Senado e corre o risco de não passar na Câmara. A votação deverá ocorrer nos próximos dias e o Executivo negocia intensamente para tentar quebrar a resistência não apenas de deputados democratas, mas também do Partido Republicano.

Na política externa, diminui o apoio popular à guerra no Iraque à medida em que aumentam o número de vítimas entre soldados e civis americanos e crescem os gastos militares do governo.

A pesquisa NBC/Wall Street Journal também indica uma decepção dos americanos com o presidente. De acordo com a pesquisa, 46% aprovam e 49% desaprovam a atuação de Bush. Em janeiro, às vésperas do início do segundo mandato, a aprovação já tinha caído em relação ao início do governo, mas ainda se sustentava em 50%.

A confiança no presidente caiu para menor nível. Apenas 41% dos americanos consideram o presidente honesto e direto.

A política externa de Bush é aprovada por 45% dos entrevistados, enquanto 51% a desaprovam.

O baixo prestígio do presidente também pode ser medido pela batalha em torno da confirmação de John Bolton como embaixador dos Estados Unidos na ONU. Indicado pelo presidente em março, ele ainda não foi confirmado pelo Senado, graças à manobra democrata de obstruir a votação.

A indicação nesta terça-feira do juiz conservador John Roberts para a Suprema Corte pode dar origem a uma nova quebra de braço entre democratas e republicanos, apesar do acordo entre os dois líderes do Senado para uma votação sem obstruções.

O escândalo envolvendo o principal assessor de Bush, Karl Rove, também mostra o desgaste político do presidente. Desde que veio à tona, há duas semanas, a possibilidade de que tenha sido Rove o responsável pelo vazamento do nome de uma agente secreta da CIA, vários parlamentares democratas já pediram a demissão do assessor.

Ele teria vazado o nome de Valeria Plame, mulher do ex-embaixador Joseph Wilson, que criticou o governo Bush por invadir o Iraque.

"O mais grave é que o caso poderia indicar que os motivos para a guerra não existiam", diz Skidmore.

O desgaste do presidente e a queda do apoio à guerra pode ajudar os democratas. A pesquisa NBC/Wall Street Journal já mostra que 45% dizem que preferem um Congresso controlado pelos democratas e 47% afirmam que vão escolher um candidato diferente daquele em que votação na eleição passada na eleição do Congresso no ano que vem.

"O problema é que o Partido Democrata é muito inábil e o presidente Bush conseguiu desmoralizá-los, mas o desgaste na guerra vai ajudar", afirma Skidmore.

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