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Atualizado às: 11 de julho, 2005 - 18h22 GMT (15h22 Brasília)
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Caio Blinder: A estratégia de saída do Iraque

Cena no Iraque após atentado
Atentados no Iraque são quase cotidianos
Como era de esperar, porta-vozes do Pentágono minimizaram a importância do memorando secreto vazado na imprensa londrina no domingo, destacando planos para uma redução significativa no Iraque das tropas da coalizão lideradas pelos Estados Unidos.

Mas as indicações são de que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha estejam forjando uma nova estratégia de saída do Iraque.

Como o próprio ministro da Defesa da Grã-Bretanha, John Reid, não questionou a autenticidade do documento, a linha de raciocínio em Washington, expressada pelo porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman, foi de que o cenário visualizado no memorando não é "inconsistente" com as metas americanas.

De acordo com o documento, as forças britânicas seriam reduzidas até meados do ano que vem de 8.500 soldados para 3 mil.

Os americanos têm, no momento, 140 mil tropas no Iraque e o memorando do Ministério da Defesa britânica vislumbra uma redução geral das tropas da coalizão de 176 mil para 66 mil em 2006.

Treinamento

De fato, cenários de uma redução significativa das tropas da coalizão no Iraque não são novidade. Tanto o presidente George W. Bush como o primeiro-ministro britânico Tony Blair disseram diversas vezes que isto irá depender do avanço do treinamento dos soldados iraquianos e de sucessos na luta contra a insurreição.

Mas os dois dirigentes insistem que não vão fixar um cronograma de retirada, com o argumento de que isto apenas iria encorajar os insurgentes no Iraque.

O memorando britânico salienta que existe um debate entre comandantes militares americanos no Iraque e líderes do Pentágono. O documento diz que as autoridades em Washington favorecem "uma redução relativamente ousada nos números da força", enquanto os oficiais no campo de batalha têm uma "abordagem mais cautelosa".

A importância política do documento é indiscutível. É a primeira vez que uma redução significativa das tropas da coalizão é delineada com um cronograma e números tão específicos.

O documento britânico não é datado, mas, de acordo com o jornal New York Times, aparentemente foi formulado há um mês, quando cresceram pressões da opinião pública e de setores bipartidários no Congresso dos Estados Unidos por uma estratégia de saída do Iraque.

Insurreição

É verdade que algumas vozes influentes, como a do senador republicano John McCain, que pode concorrer à presidência em 2008, batem na tecla de que são necessários mais soldados americanos, e não menos, para conter a insurreição no Iraque.

Tim Ripley, especialista em Iraque da respeitada publicação Jane's Defence Weekly, escreveu que há uma lógica militar para a redução do grosso das tropas na medida em que a violência no país ganha cada vez mais tonalidades de terrorismo urbano e que, para combatê-lo, são necessários mais políciais e forças especiais do que tanques e helicópteros.

É sintomático que este memorando tenha sido vazado dias após os atentados em Londres.

A tragédia intensificou o debate se a invasão do Iraque contribuiu ou não para a intensificação de atentados praticados pela rede Al Qaeda e grupos por ela inspirados.

A pedra-de-toque da retórica de Bush é de que a luta contra o terror global e o Iraque fazem parte do mesmo desafio. Para críticos deste enfoque da Casa Branca (apoiada pelo governo Blair), assim como o Afeganistão nos anos 90, o Iraque de hoje é uma incubadeira do extremismo islâmico.

A avaliação nos Estados Unidos é de que os atentados de Londres a curto prazo devem reforçar o apoio a Bush, tanto na questão do Iraque, como na percepção de sua competência para combater o terror global. Mas ao longo do tempo, as pesquisas mostram que tem derrapado o apoio a Bush nos temas que garantiram sua reeleição em novembro passado.

Uma sondagem de maio do centro Pew indica que 57% dos americanos aprovavam a política antiterrorista de Bush, em contraste a 62% em janeiro. Na questão do Iraque, no mesmo período, o apoio caiu de 45% para 37%.

A oposição democrata aposta que a longo prazo deve crescer a inquietação popular e ficar reforçada a percepção de que o Iraque não trouxe mais segurança ao país.

Se este sentimento realmente se consolidar, faz sentido acelerar uma estratégia de saída do Iraque.

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