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Atualizado às: 13 de julho, 2005 - 16h26 GMT (13h26 Brasília)
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Caio Blinder: Caso Time-NY Times pode chegar a assessor de Bush

Karl Rove
Rove é assessor e arquiteto da ascensão de Bush à presidência
Na tradição política americana, o escândalo é uma marca do segundo mandato presidencial.

Richard Nixon teve Watergate; Ronald Reagan, o Irã-Contras; e Bill Clinton, Monica Lewinsky. Mas ainda não sabemos se a oposição democrata se antecipou ao ir à carga contra Karl Rove.

Formalmente, ele é subchefe da Casa Civil de George W. Bush. Uma medida muito mais precisa da importância de Rove é lembrar que ele foi o arquiteto da ascensão do presidente americano ao poder, num processo iniciado há mais de três décadas no Texas.

Seu papel é orquestrar as iniciativas políticas do governo e assegurar a hegemonia republicana em Washington por uma geração.

Em Watergate, a frase chave no labirinto do escândalo foi "siga o dinheiro". Agora em 2005 podemos dizer que é "siga a fonte".

Até o advogado de Rove admite que ele foi fonte do repórter da revista Time, Matthew Cooper, no caso que envolveu a identificação de uma agente secreta da CIA.

Vítima

O caso está sendo investigado por um promotor especial para saber se a identificação se configurou como crime federal.

A grande vítima, por ora, no imbróglio é a repórter do New York Times, Judith Miller, que foi para a prisão por ter se recusado a revelar sua fonte, ao contrário da revista Time, que forneceu ao promotor especial as anotações de Cooper, que por esta razão não pegou cadeia.

Ironicamente, as anotações foram vazadas para a a revista Newsweek, a grande rival de Time, a primeira publicação a confirmar o envolvimento de Rove nesta história muito complicada.

Antes de tudo, há o componente legal. Não é fácil provar que Rove cometeu crime.

Isto se configura caso tenha ocorrido uma iniciativa deliberada para identificar um funcionário da CIA em uma posição secreta.

Não está claro se Rove sabia do status da agente ou mesmo que tenha mencionado o nome dela quando conversou com Matthew Cooper e possivelmente com outros repórteres, em particular o colunista conservador Robert Novak, o primeiro que identificou esta agente na imprensa.

Embaraço

Na sua coluna, Novak disse que na história da agente ele tinha "duas altas fontes" da Casa Branca.

A barragem de fogo dos democratas é mais precisa no debate político sobre o escândalo.

A história é um sério embaraço para a Casa Branca.

O próprio presidente americano disse que demitiria o funcionário do seu governo que vazou a identidade de Valerie Plame, esta agente da CIA.

Temos, portanto, um dramático teste de lealdade, na medida em que envolve Rove, figura-chave do governo.

Assediado pela imprensa, Bush primeiro respondeu com o silêncio, e na manhã desta quarta-feira, disse que não irá "prejulgar" Rove com base no noticiário da imprensa e que instruiu sua equipe para cooperar plenamente com a "séria investigação" do promotor especial.

Congressistas republicanos estão meio sem saber o que fazer nesta confusão.

Uma linha de defesa começou a ser estabelecida pelo partido na terça-feira, centrada no argumento de que Rove não teve o propósito de vazar um nome, mas de advertir a imprensa sobre a falta de credibilidade do ex-embaixador Joe Wilson.

Vingança?

É aqui que Valerie Plame entra na história. Especialista em armas de destruição em massa, ela é a mulher de Wilson, que foi despachado para a África em 2002 com a missão de avaliar as alegações de que o regime de Saddam Hussein estaria comprando urânio no Níger.

No ano seguinte, Wilson escreveu um artigo no New York Times sugerindo que o governo Bush estava manipulando dados de inteligência para justificar a invasão do Iraque.

Revelar quem era a mulher de Wilson teria sido um ato de vingança, pois foi ela quem recomendou o marido-diplomata para a missão africana.

A aposta generalizada em Washington é que Bush irá segurar Rove enquanto seu assessor-chave não estiver diante de sérias acusações legais.

Os democratas insistem em pedir a cabeça de Rove, que os críticos mais maldosos dizem ser o "cerébro" do presidente.

Agora é preciso esperar pelos desdobramentos. Escândalos são monstros com vida própria.

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