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Atualizado às: 02 de junho, 2005 - 13h31 GMT (10h31 Brasília)
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Após anistia, Espanha busca imigrantes ilegais

Imigrantes na Espanha
Depois da anistia, governo vai apertar o cerca aos ilegais no país
A Espanha começou nesta semana uma "operação pente fino" para descobrir estrangeiros que continuem a trabalhar sem documentos no país.

Serão 500 mil operações de inspeção. Quem for flagrado, será multado e o imigrante ilegal deportado imediatamente.

A operação é a segunda fase de uma ampla anistia concedida à estrangeiros no país. O processo de legalização terminou em maio, com mais de um milhão de pedidos, dos que 690.679 foram aceitos.

Deste grupo, a metade é de cidadãos do Equador, do Marrocos e da Romênia. Das 160 nacionalidades dos solicitantes, 10.431 são brasileiros, a maioria divididos entre serviços domésticos, construção civil e agricultura.

As operações de inspeção são uma forma de tentar evitar a entrada de mais imigrantes ilegias, o que normalmente ocorre depois de grandes anistias.

'Humilhação'

Com a anistia, os imigrantes passam a ter a liberdade de circulação nos 25 países da União Européia e a possibilidade de requisitar a presença de algum parente brasileiro para morar na Espanha.

A lei espanhola de reagrupamento permite ao imigrante legalizado trazer pais, esposo ou esposa e filhos para território europeu.

Mas para alguns dos brasileiros anistiados, a nova documentação é muito mais do que uma carteira de identidade européia.

O maranhense Andreson Clayton Azevedo Dias, biscateiro em uma companhia de consertos de eletrodomésticos, está há três anos e quatro meses em Madri sem voltar ao Brasil.

Ele disse que finalmente se sente livre e com a dignidade reconhecida.

"Se sofre diariamente por preconceitos, porque podem aproveitar-se de você porque você não tem onde recorrer. É uma vida muito sofrida, muito dura", afirmou Dias.

"Agora muda a qualidade de vida em matéria de direitos. Direito de escolher um trabalho digno, de receber dignamente sem ninguém te explorar, de você ter coisas no seu nome, adquirir bens, um carro, uma casa, ou seja, dar um futuro melhor para seus familiares e para si mesmo. Uma pessoa sem documentos é mais ou menos como se ela não tivesse liberdade."

Para a empregada doméstica diarista, ex-administradora de uma papelaria no Brasil, Ísis Cordeiro, a anistia é principalmente uma passagem de embarque para ver a família e os amigos em Arirí, no Maranhão.

O que não pôde fazer nos dois anos em que está em Madri, pelo medo de não poder entrar na Espanha na volta.

"Primeiro, só o fato de poder viajar para o Brasil, que é fundamental para qualquer brasileiro que esteja fora! Ver a família, os amigos. E também por estar andando pelas ruas sem problemas com a polícia e de ser fiscalizada", disse Cordeiro.

Isis é um exemplo do que o ministro do Trabalho chamou de efeito chamada, mas no estilo brasileiro. Chegou a Madri por causa de uma vizinha.

A primeira da leva maranhense foi Daírley Dias, uma cantora que desembarcou na capital espanhola há 15 anos.

Logo viajaram aos poucos quatro irmãos, dez sobrinhos, dois netos e um genro. Ísis era a vizinha que soube que a vida em Madri era melhor e já teria casa, amigos e possibilidades de trabalho como diarista em casas de família.

Desilusão

Mas confessou que está desiludida, e com o novo documento talvez vá para a França ou Inglaterra.

"Aqui não é o melhor lugar do mundo. Todo mundo sabe que o nosso Brasil é melhor país do mundo. Não quero que ninguém se iluda com a história de você vai para a Europa, vai ganhar muito dinheiro, vai ganhar bens e tudo", diz a diarista.

"Vivemos bem, mas gastamos muito também. Quem ganha em real, gasta em real. A moeda vale menos, mas, em compensação, a gente vive melhor no Brasil."

Já a cozinheira carioca, Elizabeth Gomes de Oliveira está feliz com o novo documento, mas também imagina o futuro longe da Europa.

"Se eu trabalho ganho, se não trabalho não recebo nada. Se eu disser que não gosto da Espanha, estou errada, não? O país me deu muita oportunidade de muita coisa. Só que eu adoro o meu país. Tenho 52 anos e gosto de viver", disse a cozinheira.

"Não é que aqui eu não viva, mas eu não sei viver igual a eles, como é dificil que eles vivam como nós. Então eu ficarei mais um pouco, dois, três anos e depois eu vou embora. Com certeza."

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