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Atualizado às: 20 de julho, 2005 - 22h24 GMT (19h24 Brasília)
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ONU pede ajuda urgente para evitar mortes no Níger
Criança desnutrida em Níger
Segundo a ONU, 800 mil crianças sofrem com a falta de comida
No início do mês, mais de 200 mil pessoas saíram às ruas da capital escocesa, Edimburgo, para pressionar os países ricos a dar mais ajuda à África. Embora os líderes do G8 tenham prometido, naquela mesma semana, dobrar a ajuda ao continente até 2010, países como Níger precisam do dinheiro extra muito antes disso.

A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que há poucas semanas para salvar milhares de vidas em Níger e pediu uma ação internacional urgente para evitar que muitas pessoas morram de fome no país.

Segundo a organização Médecins Sans Frontières, cerca de 3,5 milhões de pessoas (um quarto da população) estão ameaçadas pela crise.

Pedidos por ajuda emergencial vêm sendo feitos desde novembro de 2004, quando o governo nigerino requisitou 78 mil toneladas de cereais ao Programa Mundial de Alimentação da ONU (FAO) e recebeu menos de 10% disso.

Nove meses depois do primeiro pedido feito à comunidade internacional, o milho miúdo continua sem chegar aos mais atingidos pela falta de comida.

Situação 'crítica'

A organização Médecins Sans Frontières, que tem uma missão atuando no país, alerta para o fato de este ser o pior período do ano para os subnutridos, já que de junho a outubro as maiores causas da desnutrição – má qualidade e pouca quantidade de comida e doenças – estão no seu nível mais elevado.

"É um período marcado pelo fim das reservas de comida e que está a quatro meses da próxima colheita, em outubro, além de ser o pico da incidência de doenças como diarréia e malária durante a época das chuvas", diz um alerta da organização.

Segundo o chefe da missão da ONU na Nigéria, Boubacar Boureima, a situação no país "é crítica".

"Desde novembro o governo pede ajuda da comunidade internacional. Mas agora (a situação) é muito crítica. São necessários cerca de 16 milhões de dólares. Até hoje não atingimos esse objetivo. Todos sabem que existe uma situação emergencial para uma parte da população. Portanto, precisamos urgentemente de 40 mil toneladas de comida", disse Boureima.

Segundo o Médecins Sans Frontières, no norte das províncias de Maradi e Tahoua, por exemplo, uma em cada cinco crianças sofre de desnutrição.

'Desesperadamente pobre'

A integrante da UNICEF (fundo da ONU para infância e adolescência) Júlia Powell disse que 800 mil crianças estão sofrendo os efeitos da falta de comida.

"O problema começou com gafanhotos comendo as colheitas em várias partes do país – 100% das colheitas. Depois disso, seguiu-se uma seca, que piorou a situação, mas mesmo antes disso, o Níger é um país muito pobre. Uma em cada quatro crianças não completam o quinto ano de vida."

O diretor de emergências da organização não-governamental Save the Children, Toby Porter, concorda.

"Por que a situação é tão desesperadora em Níger? Não é porque existe uma guerra civil. Não é porque o governo está oprimindo grande parte da população. Não é porque existem problemas de corrupção que faz com que os recursos não cheguem à população."

"Essa crise em Níger existe porque uma grande parte da população naquele país é simplesmente desesperadamente pobre", afirmou Porter.

O chefe das ações humanitárias da ONU, Jan Egeland, admite que existem muitas situações emergenciais na África que foram esquecidas ou estão sendo negligenciadas.

"Algumas recebem atenção, como Darfur. O Sudão recebeu atenção e grandes quantidades de ajuda. Mas Níger é talvez o exemplo de uma emergência negligenciada, onde alertas anteriores não foram observados e onde nós estamos realmente falhando", afirmou Egeland.

Ele ressaltou que na semana passada foi garantida mais ajuda do que nos últimos seis meses, mas admitiu que ela chegou tarde para muitas crianças.

Segundo Egeland, foram pedidos à ONU cerca de 30 milhões de dólares para intervenções emergenciais e problemas agrícolas e de saúde. Além disso, a FAO pediu pouco mais de 4 milhões de dólares, "mas obteve apenas 600 mil da Suécia".

"Acho que vai vir mais ajuda da União Européia e de outras fontes. Juntando tudo, não é nada. Os europeus consomem 10 bilhões de dólares em sorvete por ano. Os americanos gastam 35 bilhões de dólares com seus animais de estimação todos os anos."

"Deveríamos ser capazes de reunir os poucos bilhões necessários para ajuda emergencial e atividades de recuperação, reconstrução e desenvolvimento nesses países", afirmou Egeland.

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