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Atualizado às: 15 de julho, 2005 - 18h11 GMT (15h11 Brasília)
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Membros do FMI 'querem rever abatimento de dívida africana'
FMI
O FMI vota os abatimentos em setembro
O abatimento das dívidas de países pobres, reafirmado durante o último encontro do G8, pode estar ameaçado.

Alguns governos europeus estariam mudando de opinião sobre o compromisso de abater a dívida de países pobres que cumpram as condições estabelecidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial, dentro da Iniciativa para os Paises Altamente Endividados.

O acordo foi firmado em junho por ministros da Fazenda dos países credores e recebeu aval do G8 (grupo que engloba os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia) no início de julho durante o encontro em Gleaneagles.

Mas os belgas teriam pedido uma mudança nos termos do acordo. Em um documento obtido pelo grupo ativista Jubilee Debt Campaign, um oficial belga teria escrito ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que "em vez de ter a sua dívida cancelada (...) os países deveriam receber concessões". A Alemanha seria um outro país que estaria vendo o acordo com outros olhos.

Acordo

"Essas propostas vão completamente contra ao que milhões de ativistas e pessoas pobres ouviram durante a reunião do G8", disse Stephen Rand, presidente da Jubilee Debt Campaign.

As supostas mudanças também alarmaram autoridades africanas para quem, caso confirmadas, atrasariam benefícios e não cumpririam o que foi acordado.

A Grã-Bretanha seria contrária às mudanças. O acordo será votado pelo FMI em seu encontro anual em setembro, em Washington.

Se os países do G8 continuarem com o acordado, os demais países credores (como a Bélgica) dentro do FMI não devem fazer com que o acordo saia dos eixos.

No entanto, 15% dos votos no FMI podem bloquear o acordo. Por isso, a decisão de países maiores do G8 como a Alemanha e o Japão é crucial.

Alemanha

Embora tenha concordado com o abatimento da dívida, os alemães estão reconhecidamente descontentes com o acordo que, segundo eles, pode provocar “incidentes morais”.

Países que pediram empréstimos descontroladamente seriam premiados enquanto que países que tentaram não se endividar muito, como Botsuana, receberiam menos ajuda.

Além disso há o problema econômico, de quem financiaria o relaxamento da dívida.

Enquanto o G8 concordou em arcar com a quantia devida ao Banco Mundial e ao Banco de Desenvolvimento Africano, não ficou claro quem arcaria com a quantia devida ao FMI.

Pelo documento do G8, o FMI teria que financiar o acordo com recursos próprios.

Uma das propostas, defendidas pela Inglaterra, é a de que o FMI abra mão de suas reservas de ouro.

Estados Unidos e Canadá discordam da idéia.

Atualmente, 18 países cumprem essas condições exigidas inicialmente pelo acordo – 14 deles na Africa: Benin, Burkina Faso, Etiopia, Gana, Madagascar, Mali, Mauritânia, Moçambique, Níger, Ruanda, Senegal, Tanzânia, Uganda e Zâmbia; e quatro da America Latina: Nicarágua, Bolívia, Guiana e Honduras.

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