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Única saída para PT é 'resgate da verdade', diz Humberto Costa | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ex-ministro da Saúde e atual secretário de comunicação do PT, Humberto Costa, afirmou, em entrevista à BBC Brasil, que “a única saída” para o partido superar a maior crise de sua história é apurar com transparência as denúncias de irregularidades cometidas por dirigentes petistas. “A melhor maneira de poder tirar o PT dessa situação de dificuldade, que é a maior crise que vivemos desde o processo de fundação, há 25 anos, é estabelecendo um resgate da verdade”, disse o ex-ministro. Costa admite que as declarações do ex-tesoureiro Delúbio Soares, que confessou ter negociado com o empresário Marcos Valério empréstimos “não contabilizados” para pagar dívidas de campanha do PT, colocam o partido “em uma situação de dificuldade perante a Justiça eleitoral”. De acordo com o ex-ministro, a nova direção do PT não quer “deixar nada embaixo do tapete”. Humberto Costa afirma, no entanto, que o partido não pode pagar “como um todo” pelos erros cometidos por “alguns”. “Não é possível fazer um julgamento de um partido que tem 25 anos de história inteiramente definido por conta dos erros que alguns eventualmente tenham cometido”, reclama o dirigente petista. Crime eleitoral Em Brasília, o PSDB e o PFL anunciaram na segunda-feira que pedirão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão do repasse de recursos públicos para o fundo partidário do PT, estimado pelos dois partidos da oposição em R$ 35 milhões. Ao justificar a ação, o líder do PFL no Senado, José Agripino, citou indícios de que Marcos Valério teria usado os contratos de prestação de serviços de uma de suas agências de publicidade com os Correios para garantir um empréstimo ao PT. “Dinheiro dos Correios serviu para subsidiar o PT”, afirmou Agripino. “O fundo partidário é dinheiro público, as investigações nos levam a uma obrigação de pedir ao TSE que investigue isso, já que a afronta é claríssima.” Para o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), ao admitir que os empréstimos negociados com Valério não entraram na contabilidade do PT, Delúbio Soares confessou ter cometido um crime eleitoral. “As declarações denotam formação de quadrilha para a prática de crime eleitoral”, diz o senador. “A legislação prevê para esses casos até cinco anos de prisão, multas, perda de mandato, suspensão do fundo partidário e até mesmo a cassação do registro do partido político.” Dívidas Na entrevista à BBC Brasil, Humberto Costa disse que a ameaça da oposição de cassar o registro do PT faz parte de uma “estratégia política que não vai prosperar”. De acordo com o secretário de comunicação petista, se ficar comprovada a existência de dívidas eleitorais contraídas pelo PT e não registradas junto à Justiça, o partido será obrigado a retificar as prestações de contas de suas campanhas. A nova direção do PT assumiu o comando do partido há pouco mais de uma semana e ainda aguarda novos esclarecimentos de Delúbio Soares sobre o tamanho exato da dívida petista com seus credores. O ex-ministro afirma que, em um primeiro momento, o PT só tem condições de pagar as dívidas registradas na contabilidade do partido. O dirigente diz que o partido só se pronunciará sobre os outros empréstimos quando tiver informações mais concretas de Delúbio sobre essas transações. Humberto Costa declarou ainda que a definição sobre uma possível punição para o ex-tesoureiro do partido será definida por uma investigação interna. “É a Comissão de Ética que, se constatar algum tipo de erro ou de irregularidade, deverá propor algum tipo de sanção”, diz o ex-ministro. Eleições 2006 O secretário de comunicação do PT reconhece que o atual momento de crise provocou abalos na imagem do partido, mas diz acreditar que os danos não são irreparáveis. “É óbvio que, se nós fossemos analisar o momento de hoje, é possível que nós tivéssemos reflexos muito fortes”, afirma Humberto Costa. “No entanto, aqui no Brasil, a política é muito dinâmica.” “Há muito tempo para que o partido possa resgatar a sua imagem”, acrescenta o ex-ministro. “Depende muito de como o partido vai lidar com essa crise.” Na opinião do dirigente petista, para reverter o prejuízo causado pelas denúncias de um esquema de ‘caixa 2’ eleitoral do PT, o partido terá que controlar a crise e dar as satisfações que a sociedade exige. “Nós precisamos dar mais transparência às ações da nossa própria direção. Nós precisamos criar canais para um debate mais plural. E nós precisamos ter uma política de maior autonomia em relação ao governo”, conclui Humberto Costa. |
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