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Adiamento da Discovery gera nervosismo e frustração | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O adiamento do lançamento do Discovery, nesta quarta-feira, aumentou a apreensão em torno da primeira missão de um ônibus espacial da Nasa desde o desastre com o Columbia. A agência espacial apresentou o adiamento por causa de um problema num sensor do tanque de combustível como uma prova da eficiência de um sistema de controle depois do acidente que matou os sete astronautas a bordo do Columbia, em fevereiro de 2003. Mas para as 10 mil pessoas que viajaram ao Cabo Canaveral para assistir ao evento e outras centenas de milhares que lotaram hotéis num raio de 60 km do Kennedy Space Center, o sentimento era de frustração. "É claro que é decepcionante, ninguém quer sair de casa e voltar sem ter visto o lançamento", diz o Alex Ilkovski, de 27 anos, que veio de Miami e comprou os ingressos para ver o evento há cinco meses. Em vez do espetáculo antecipado pela própria Nasa como "o maior evento do ano", os visitantes tiveram de se consolar com um vale para assistir um lançamento que, nas palavras do próprio administrador da agência espacial, Michael Griffin, será realizado no sábado "no melhor cenário possível". "Checagem" A agência espacial diz que investigará nos próximos dias a causa do problema que impediu o lançamento e, com base nessas conclusões, avaliará as condições de uma nova tentativa. Para o congressista e ex-astronauta Bill Nelson, o procedimento é parte da "cultura de segurança da Nasa". "Quando eu fui, houve quatro cancelamentos (antes do lançamento)", disse o congressista, que participou, em janeiro de 1986, da última missão espacial antes da explosão da Challenger, naquele mesmo ano. Ao apresentar o problema como uma "anomalia inexplicável", o vice-diretor do programa de ônibus espaciais da Nasa, Wayne Hale, comparou a situação à de uma "caminhonete velha" que tem em casa e pára de funcionar sem motivo aparente. "Caminhão de entrega" De fato, a engenheira da Nasa Ivette Rivera diz que o ônibus espacial funciona como um "caminhão de entrega" de materiais à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). Todos os engenheiros e astronautas da Nasa, aliás, reconhecem que o ônibus espacial é um veículo ultrapassado, que precisa ser substituído. "Os computadores são dos anos 70, são grandes caixas que podem ser substituídos por muito equipamentos menores e mais eficientes", afirma o astronauta inglês naturalizado americano Nick Patrick. O problema é que esse novo veículo ainda não saiu do papel e até 2010 - prazo anunciado pelo presidente George W. Bush para que os ônibus espaciais sejam aposentados - a Nasa continuará dependendo dos seus "caminhões de entrega" para manter a ISS em funcionamento. Desde o acidente com o Columbia, esse papel tem cabido à Rússia. "Nós ainda não temos o novo veículo e nós temos compromissos para terminar a construção da Estação Espacial Internacional e queremos manter gente lá para pesquisa", afirma Patrick, que está em treinamento para fazer parte de uma tripulação de um ônibus espacial a ser lançado em abril de 2006. "Se o programa de ônibus espaciais terminasse hoje, não poderíamos atingir nenhum desses dois objetivos." Brasileiro A missão prevista para o ano que vem deverá a primeira missão de Patrick num ônibus espacial desde que entrou na agência, há sete anos. Normalmente, um astronauta leva cerca de cinco anos para ser enviado numa missão desse tipo, mas o acidente com o Columbia adiou em dois anos e meio os planos dos profissionais da agência espacial. Patrick leva a bandeira do Brasil entre as sete costuradas na manga do seu macacão porque se formou na Nasa na mesma classe que o único astronauta brasileiro, Marcos Pontes. "Não, Marcos não vai desta vez", diz, rindo, sobre a possibilidade de o astronauta brasileiro ser enviado junto com ele na missão do ano que vem. |
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