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Complacência pode ter facilitado ataque a Londres, diz 'Financial Times' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O jornal Financial Times diz nesta sexta-feira que há suspeitas de que a “complacência” dos serviços de segurança pode ter minado “anos de vigilância” e facilitado os atentados de quinta-feira em Londres. Segundo o diário financeiro, “não apenas a segurança em Londres foi relativamente relaxada em dias recentes, mas o foco da segurança e do policiamento tem sido geralmente em outro lugar – a cúpula do G8 na Escócia”. O jornal diz que, dos 12 mil agentes que fazem a segurança do encontro, metade é proveniente da capital britânica, o que “vai alimentar a suspeita de que os moradores de Londres foram vítimas de uma complacência fatal sobre a inabilidade de terroristas fanáticos e bem organizados de atacar com sucesso”. O Daily Mail é mais enfático ao criticar os serviços de segurança, observando que, apenas 90 minutos antes de estourar a primeira bomba, o chefe da polícia britânica havia dito em um programa de rádio que a operação antiterrorismo da Grã-Bretanha era “motivo de inveja do mundo ocidental”. A colunista Melanie Phillips diz, porém, que a “incapacidade de proteger nossas fronteiras é inacreditável”. Nova geração Entretanto, no The Daily Telegraph, o especialista em assuntos de segurança Philip Johnston tem uma opinião diferente, dizendo que os responsáveis pela área já suspeitavam que o sistema de transporte londrino era um alvo óbvio para atentados e que o policiamento havia sido reforçado nas estações nos últimos tempos. O problema, segundo ele, é que a “nova geração” de militantes dispostos a promover atentados a bomba é “difícil de ser rastreada”, pois essas pessoas podem ser estrangeiras ou mesmo britânicas e têm uma “origem étnica e religiosa que torna difícil a infiltração” por meio dos serviços de inteligência. Nos Estados Unidos, o Los Angeles Times diz que os especialistas que vêm trabalhando no reforço da segurança nas cidades do país desde 11 de setembro de 2001 já haviam notado que os sistemas de transporte coletivo são especialmente vulneráveis – como Londres aprendeu na quinta-feira. “As autoridades admitem que, porque ônibus e trens têm que ser de fácil acesso para os passageiros, é praticamente impossível garantir a segurança completa deles”, diz o jornal. O The New York Times cita “investigadores” que estão trabalhando no caso para dizer que as bombas que explodiram em Londres foram detonadas por meio de dispositivos de timers, e não por militantes suicidas. Outro jornal americano, o Washington Post diz que os ataques reúnem as “marcas registradas” da organização Al-Qaeda. O espanhol ABC vê nos atentados londrinos o “padrão” dos ataques que mataram centenas de pessoas em março do ano passado em Madri. O jornal árabe sediado em Londres Al-Hayat diz que os muçulmanos britânicos devem adotar uma postura de condenação ao ataque sem dizer “mas”. “A estúpida mentalidade que planejou estas operações, privada de qualquer coragem ou senso de horna, sem um mínimo de moralidade e, sem dúvida, distante das tradições e do credo islâmico, mais uma vez expandiram o círculo do ódio contra os muçulmanos e o Islã”, diz o jornal. Outro jornal árabe de Londres, o Al-Quds al-Arabi, também defende a condenação do ataque. “Mas nós devemos sempre lembrar que a guerra americana no Iraque já deixou mais de 100 mil mortos e quatro vezes este número de feridos”, ressalva o jornal. “A maioria destas vítimas é de pessoas inocentes.” Calma no caos Correspondentes de jornais de vários países elogiaram a reação dos londrinos aos ataques de quinta-feira. Os enviados especiais do francês Libération dizem que a “população londrina soube evitar o pânico após os atentados” em uma matéria intitulada “Nunca tinha visto isso, tanta tranqüilidade depois do horror”. O Washington Times publica relatos de americanos que estavam na cidade e que, segundo o jornal, mostram “a eficiência e a calma britânica em meio à crise”. O enviado do argentino La Nación afirma que “o desespero não foi convidado neste quadro terrível de adversidade”. O El País, por sua vez, observa que bombas explodiram perto do Museu Britânico. “Uma hora depois, visitantes continuavam entrando pela porta principal” do museu, diz o jornal. E o Financial Times diz que os planos de emergência das autoridades londrinas “mostraram o seu valor”, uma vez que a cidade conseguiu controlar o caos. |
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