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Estatal russa promete forte concorrência para Embraer | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Embraer, que já disputa acirradamente o mercado de aviões de médio porte com a canadense Bombardier, terá de concorrer em breve com um fabricante russo: a empresa estatal Sukhoi, que apresentou no salão da aviação do Bourget a maquete do posto de pilotagem e detalhes do motor de seu Russia Regional Jet (RRJ), para 95 passageiros. A companhia russa, que já atuava no setor da aeronáutica militar, se lança agora na aviação civil. Os primeiros modelos do RJJ só deverão chegar ao mercado em 2008. Os testes dos motores deverão ser realizados no final deste ano. A filial da Sukhoi que constrói aviões civis foi criada há apenas cinco anos. Mas a empresa já conseguiu reunir cerca de 20 fabricantes de equipamentos e componentes para a aeronáutica, boa parte deles ocidentais, como a francesa Snecma, a Thales (que fabricará o painel de comando) e a Liebherr. O motor do RJJ está sendo desenvolvido pela francesa Snecma em parceria com a empresa russa Saturno (uma joint-venture denominada Power Jet). O governo francês, aliás, doará 140 milhões de euros para financiar pesquisas tecnológicas para a fabricação do motor do avião. Consultoria da Boeing O Estado russo também deverá contribuir para o projeto com recursos da ordem de US$ 100 milhões. Os aliados nesse projeto são de peso: a companhia norte-americana Boeing atua como “consultora” sobre toda a cadeia produtiva até o serviço pós-venda. A empresa informou nesta terça-feira no salão do Bourget que pretende “lançar novas bases no mercado de pequenos jatos”. A diretoria da Sukhoi ressaltou os atrativos do RJJ em relação à concorrência: o avião consumiria menos combustível, faria menos ruídos, custaria 20% a menos e teria custos de manutenção 30% mais baixos do que o de seus competidores, ou seja, a Embraer e a Bombardier. “Desejamos entrar no mercado internacional. Não se trata de um avião para ser vendido apenas na Rússia. Queremos ser os melhores”, disse à BBC Brasil Victor Subbotin, diretor da Sukhoi, quando indagado sobre como a empresa analisa a concorrência em um setor com dois fortes competidores já estabelecidos. O RJJ terá também duas outras versões, com 60 e 75 lugares, mas a empresa privilegiará o aparelho para 95 passageiros. A Sukkoi estima que a demanda por aviões desse porte seja de 5 mil aparelhos nos próximos 20 anos. E espera vender 700 RJJ, ficando com 14% dess mercado. Além da Rússia, a China também está desenvolvendo aviões com 70 a 90 lugares. “Esses aviões deverão levar pelo menos cinco anos para chegarem ao mercado. Esperamos que quando isso ocorrer, tenhamos já um número significativo de aviões colocados no mercado, de maneira que nossa posição possa prevalecer neste setor”, afirma o presidente da Embraer, Maurício Botelho. “A concorrência é sempre pesada. Olhamos com cuidado e percebemos seus movimentos”, diz ele. |
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