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Emprego e crescimento sustentável ainda são desafios para Kirchner | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, completa nesta quarta-feira dois anos de governo em um cenário nacional diferente do que existia quando assumiu a cadeira presidencial, em 2003. Na época, o país começava a sair da pior crise da sua história, mas Kirchner era visto com desconfiança por muitos analistas. Ele chegou ao poder com apenas 22% dos votos, após renúncia de Carlos Menem, às vésperas do segundo turno das eleições. Na ocasião, o desemprego e a pobreza registravam taxas recordes no país que já tinha sido definido como um dos mais igualitários da região. Hoje a situação é melhor, devido ao efeito de medidas adotadas por Kirchner quanto pela conjuntura internacional, segundo os analistas entrevistados pela BBC Brasil. "Longe da tradição" Ainda assim, os números de hoje "ainda estão longe da tradição argentina", segundo Ernesto Kritz, um dos principais economistas especializados em questões sociais da Argentina. "Há dois anos, a pobreza atingia 50% da população. Hoje, ela é de 40%. Desse total, os indigentes que antes eram 25%, agora são 15%”, lembrou. “O desemprego que, há dois anos, era de 18%, hoje é de 13%. Os salários também recuperaram poder de compra, apesar de ainda não estarem como em 2001, antes da crise.” Por tudo isso, apesar dos avanços, Ernesto Kritz diz que o presidente ainda tem muitos desafios. E o principal deles é a geração de empregos. Com mais emprego, entende, será possível continuar reduzindo a exclusão social. Mas, na sua opinião, esse resultado dependerá do ritmo do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que registrou marcas inéditas nos últimos dois anos, mas poderia reduzir sua intensidade em 2006 e 2007. Para este ano, a previsão é de crescimento de cerca de 7% do PIB. Estabilidade Mariano Flores Vidal, economista especializado em questões financeiras, concorda que Kirchner ainda tem muitos problemas para resolver: das negociações com as empresas privatizadas, cujas tarifas estão congeladas, à reconquista dos investimentos estrangeiros. Mas um passo decisivo, segundo o economista, ele já deu e foi a estabilidade econômica. Nesse período, destacou, o país saiu do caos financeiro e passou a ter contas mais equilibradas, renegociou a dívida que estava em moratória e, era a maior da história do capitalismo, e modificou as negociações com o FMI (Fundo Monetário Internacional). “Um de seus objetivos é a solvência fiscal e ela só pode ser vista com bons olhos, até porque ajudará no crescimento”, afirmou. Na opinião do economista, o principal desafio de Néstor Kirchner, de agora em diante, é, exatamente, o crescimento sustentável. Ele recordou que a economia argentina sempre sofreu altos e baixos, com dificuldades para a manutenção da sua expansão – um ritmo que leva diferentes analistas a definirem sua trajetória como a de um “eletrocardiograma”. Depois de cair mais de 15%, na crise de 2001 e 2002, o PIB teve 16% de expansão nesses últimos dois anos. |
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