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Só queda de presidente põe Equador no radar dos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, estará na América do Sul na semana que vem na sua primeira visita à região desde a posse, em janeiro. O Brasil será uma das escalas programadas, não estando prevista uma parada no conturbado Equador. Na quinta-feira, falando da distante Lituânia, Rice fez um apelo por calma, estabilidade e convocação de eleições no pequeno país andino. É preciso mais uma destituição de presidente – a de Lucio Gutiérrez foi a terceira em oito anos – para colocar o Equador no radar americano pelo menos por alguns momentos. Degringolada Mais do que isso, na avaliação do Centro Carter (ligado ao ex-presidente americano Jimmy Carter), a comunidade internacional "reagiu aos fatos" na crise equatoriana. Por ora, há cautela em Washington na questão de reconhecimento do governo de Alfredo Palacio. Michael Shifter, vice-presidente do respeitado Inter-American Dialogue, lamenta que o governo americano não estivesse prestando muito atenção na degringolada democrática no Equador, além de dar suporte protocolar ao processo constitucional. É uma ironia porque o país foi um dos primeiros na América do Sul, em 1979, a fazer a transição de autoritarismo para democracia. A consolidação, como se vê, não vingou. Semelhança A chegada de Gutiérrez ao poder pelo voto em 2002 causou uma certa apreensão em Washington. Era uma trajetória parecida com a do venezuelano Hugo Chávez, um militar com passado golpista e que depois venceu eleições democráticas. A retórica populista de Gutiérrez cedeu lugar a uma política econômica de austeridade para atender ao receituário do Fundo Monetário Internacional (FMI) – e pagar a pesada dívida externa – e de aproximação com os EUA. O populista ficou cada vez mais impopular, desgastou-se junto à base indígena e investiu cada vez mais em conchavos com partidos ligados a elites tradicionais e populistas retrógrados e folclóricos como o ex-presidente do Equador Abdalá Bucaram, também conhecido como "El Loco". Do estilo Chávez sobrou em Gutiérrez um empenho para manipular as instituições democráticas conforme os seus interesses, o que culminou na reestruturação da Suprema Corte no final do ano passado. A partir daí foi a degringolada democrática. Indiferença Na avaliação de Michael Shifter, ao contrário da Venezuela – quarto fornecedor de petróleo dos EUA e objeto de obsessão do governo Bush – o Equador é tratado com indiferença em Washington. Tudo isso apesar de sua economia dolarizada, de possuir substanciais reservas de gás natural e de sediar a única base militar norte-americana na América do Sul (em Manta), conferindo sólido apoio ao Plano Colômbia, de ajuda americana no país vizinho para combater traficantes de drogas e guerrilheiros de esquerda. Shifter é um dos analistas americanos que martelam na idéia de que existe um sentimento de negligência dos EUA em relação aos acontecimentos hemisféricos. Mesmo um arco de governos esquerdistas (no geral adotando políticas econômicas de feitio ortodoxo) não faz Bush e seus diplomatas perderem o sono. Há preocupações específicas como drogas, imigração, Hugo Chávez e o aparentemente eterno Fidel Castro, mas existe este quadro de indiferença geopolítica que não será alterado por mais uma troca palaciana no Equador. |
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