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A cada ano e meio, cai um presidente na América do Sul | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A queda do presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, é a décima interrupção de um mandato constitucional nos últimos 16 anos na América do Sul. Isso significa uma média de um presidente caindo a cada ano e meio na região, com saídas registradas, entre 1989 e 2005, em sete dos dez países sul-americanos. As únicas exceções foram o Chile, o Uruguai e a Colômbia, onde os presidentes concluíram suas gestões. Os que mais sofreram com a instabilidade político-institucional foram Argentina, Bolívia e Equador. Os dados são da consultoria Centro de Estudos União para a Nova Maioria e do Instituto de Planejamento Estratégico (IPE), divulgados nesta quinta-feira. Redemocratização A instabilidade institucional coincide com o período da volta da democracia, como observou o cientista político Rosendo Fraga, diretor da consultoria Nova Maioria. “Na primeira etapa, entre 1989 e 1997, ocorreu uma interrupção de mandato a cada dois anos. Numa segunda etapa, entre 1999 e 2003, houve mais de uma suspensão por ano e as saídas das crises foram mais caóticas”, afirmou Rosendo. Por sua vez, assessores do IPE entendem que a crise é, principalmente, de “governabilidade”. Para eles, no Equador, como ocorreu na Argentina, em 2001, quando o presidente Fernando de la Rúa renunciou e outros quatro passaram pela mesma cadeira presidencial, foram decisivas a opinião e a “bronca” da classe média. De 1989 até 2005, diz o Centro de Estudos União para a Nova Maioria, os presidentes deixaram o poder antes da hora porque renunciaram, foram destituídos ou derrubados. Em 1989, o presidente Raul Alfonsín, da Argentina, que governou durante 66 meses, entregou o cargo seis meses antes. Foi em meio a uma escalada de hiperinflação, que gerou conflito nas ruas, deixando 14 mortos e vários feridos. Em 1992, no Brasil, após 31 meses de gestão, foi a vez do então presidente Fernando Collor de Mello ser destituído, quando o Congresso Nacional declarou seu impeachment. Em 1993, na Venezuela, Carlos Andrés Pérez foi destituído, após 50 meses no cargo. Em 1997, no Equador, Abdalá Bucaram deixou o cargo, depois de apenas oito meses de mandato. Como Collor de Mello e Andrés Pérez, lembrou Rosendo Fraga, Bucaram foi acusado de corrupção. Crises Em 1999, foi a vez do paraguaio Raúl Cubas Grau, então aliado do general Lino Oviedo, ser obrigado a interromper a gestão, em meio a uma crise institucional, que também deixou mortos e feridos. No Paraguai, a disputa ocorreu entre políticos do mesmo partido, o Colorado. Em 2000, no Equador, Jamil Mahuad foi derrubado, após 18 meses de administração, abrindo caminho para a eleição de Lucio Gutiérrez. Na época, Gutiérrez foi eleito com apoio dos indígenas (maioria no país) e prometeu a “igualdade social” e a “integração interna”. Naquele mesmo ano, dez meses mais tarde, o presidente Alberto Fujimori, do Peru, renunciou, após cumprir quatro meses do segundo mandato. Hoje, vive asilado no Japão.
Em 2001, na pior crise da história da Argentina, o presidente De la Rúa renunciou ao cargo, após 24 meses de gestão. Saiu sob panelaços e saques a supermercados e lojas e ainda hoje, mais de três anos depois, ainda teme sair às ruas e ser alvo dos protestos em seu país. Na Bolívia, em 2003, o presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, que fala espanhol com sotaque devido ao longo período que viveu nos Estados Unidos, renunciou após 14 meses de gestão. Ele saiu em meio a um caos que deixou 70 mortos no país. Era o seu segundo mandato, depois de período de ausência do país. Nos últimos meses deste ano, a Bolívia, rica em gás natural e exportadora do produto para a região, voltou a viver dias de convulsão social e instabilidade política. O presidente Carlos Mesa chegou a colocar o cargo à disposição, em março passado, mas permaneceu no posto. Na última quarta-feira, foi a vez de Lucio Gutiérrez renunciar, após 27 meses de gestão. Só no Equador, rico em petróleo, mas com altos índices de pobreza, foram sete presidentes em nove anos - a maioria por golpes institucionais, como destacaram assessores do IPE. |
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