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Vaticano tenta impedir espionagem durante o conclave | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Parece uma cena de romance de Dan Brown, o autor do best-seller O Código Da Vinci. Um vulto passa pelos corredores do Vaticano e se esgueira na Capela Sistina. Ocultado pela escuridão, ele esconde uma escuta sob uma cadeira. Poucas horas depois, os cardeais se reunião para eleger um novo papa, e todas as palavras serão gravadas clandestinamente. João Paulo 2º levou a sério esse risco e tentou impedir qualquer tentativa de escuta clandestina no conclave que vai escolher seu sucessor. Varredura eletrônica Antes que os cardeais entrem na Capela Sistina no próximo dia 18 de abril, toda a área será submetida a uma varredura eletrônica para garantir que ninguém tenha colocado um "grampo". Houve sugestões de que microfones com laser captem conversações dentro do recinto ao medir as vibrações nas janelas. Mas Gerry Hall, diretor da empresa britânica Security Search, está cético. "Não há artefato mágico para ser usado do lado de fora do prédio - eles (os espiões) teriam que entrar", disse Hall. "Seria difícil, mas seria necessário ter uma pessoa do lado de dentro - um faxineiro, por exemplo - para colocar alguma coisa." "A situação ideal seria usar um transmissor GSM, que emprega toda a tecnologia de um telefone celular, mas pode ser chamado de qualquer lugar do mundo e capta o que está acontecendo." Tal artefato pode ter o tamanho de um isqueiro de bolso. Assim que instalado, ele pode transmitir por até dez dias antes de a bateria ficar totalmente descarregada. Possível benefício prático Mas qual a finalidade de se gravar a conversa dos cardeais na Capela Sistina? "Eu estou certo de que é tecnicamente possível, assim como é possível fazer uma varredura para encontrar estes artefatos, mas não tenho certeza de que seria prático", afirma Charles Shoebridge, analista de segurança e ex-agente da polícia britânica, Scotland Yard. "Embora você possa ouvir negociações, o sistema de votação que eles usam é bem antigo, com indicações escritas em pedaços de papel." "Eu tenho dúvidas de que uma escuta revelaria muito." "Diferentemente do que com diplomatas, estadistas e políticos, o resultado final deste procedimento será divulgado publicamente, de qualquer forma." "Então o benefício de obter conhecimentos antecipados pode não compensar levando-se em conta o risco potencial e político de ter descobertas escutas clandestinas no local." A tarefa de procurar escutas dentro do Vaticano foi dada a dois "técnicos de confiança". Qualquer pessoa pilhada violando a segurança vai enfrentar a ira do Vaticano. João Paulo 2º advertiu: "Os responsáveis devem saber que estarão sujeitos a penas graves de acordo com o julgamento do futuro papa." Quando jovem, Karol Wojtyla sobreviveu à ocupação nazista da Polônia durante a Segunda Guerra Mundial. Ele se tornou padre num Estado comunista que observava com atenção a igreja. Ele sabia o que era estar sob vigilância. Caro Garantir que o conclave não seja alvo de escuta clandestina provavelmente vai sair caro, disse Justin King, diretor da empresa de consultoria C2i International. "Informação é poder e se alguém que muito alguma coisa, vai conseguir." "Cerca de 80% da varredura eletrônica é um procedimento físico. É ajoelhar no meio da sujeira e procurar artefatos." "Não será barato, e vai envolver muita gente. É uma tarefa enorme." Impacto global? A questão que permanece é, quem se beneficiaria realmente da presença de "grampo" no conclave? Poderes estrangeiros estariam dispostos a espionar os cardeais? O regime comunista da Polônia ficou chocado com a eleição de João Paulo 2º em 1978, não tendo aviso sobre os eventos dramáticos que ocorriam em Roma. O colapso do bloco soviético, que veio em seguida, sugere que eles tinham razão em ficar alarmados. Hoje especula-se que poderemos ver a eleição de um papa originário de um país em desenvolvimento. Um sumo pontífice determinado a combater a pobreza e o endividamento internacional pode ter um impacto igualmente grande na política global. Alguns especialistas em segurança acham que a Igreja Católica é sábia em buscar garantir o sigilo das discussões dos cardeais. Para Justin King, no centro da questão está o futuro da Igreja Católica. |
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