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Atualizado às: 06 de abril, 2005 - 14h16 GMT (11h16 Brasília)
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Italianos não têm como impor papa, dizem analistas

O arcebispo de Milão, Dionigi Tettamanzi
Historiador diz que 'favoritismo' pode prejudicar Tettamanzi
É natural que a Itália faça pressão para eleger um papa italiano, mas isso não significa que a campanha terá sucesso, afirmam analistas de assuntos relacionados ao Vaticano ouvidos pela BBC Brasil.

Onorato Bucci, professor de Direito Canônino da Universidade Lateranense, diz que os italianos não têm como impor nada.

O argumento dele é que, dos 117 cardeais com direito a voto no conclave, apenas 20 são da Itália. Talvez, por isso, de acordo com ele, fazer propaganda seja uma boa arma nestes dias pré-eleição.

Segundo Bucci, o fato das pessoas em Milão terem aclamado o arcebispo local, Dionigi Tettamanzi, como o novo papa é óbvio e justo.

O professor diz que outros italianos, como o cardeal de Veneza, Angelo Scola, o ex-prefeito da Congregação dos Bispos Giovanni Battista Re, o ex-vigário papal para a cidade de Roma Camilo Ruini e o ex-secretário de Estado do Vaticano Angelo Sodano, também já viveram momentos semelhantes de aclamação popular.

Na avaliação de Bucci, fazer campanha é natural. Ele cita o caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nos últimos dias tem aparecido como o melhor cabo eleitoral do arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes.

Bucci afirma que todo o Brasil quer um papa brasileiro, assim como a Itália torce por um italiano.

Bispo de Roma

“É normal que os italianos tentem pressionar a escolha por um papa daqui”, observa também o historiador Antonio Melloni. “Por mais de quatro séculos foi assim. O papa, além de ser o pastor da igreja católica, é o bispo de Roma."

No entanto, Melloni diz que falar excessivamente de um determinado cardeal, como o que está ocorrendo com Tettamanzi, pode até acabar prejudicando ele.

Segundo o historiador, fala-se muito de Tettamanzi, mas isso não quer dizer nada. Ele lembra do velho provérbio que diz: "quem entra em um conclave papa sai de lá apenas cardeal".

“Em 1978, quando João Paulo 2º foi eleito, ele não aparecia entre os classificados como papáveis”, diz. “Apenas a revista de Barcelona Blanco y Negro falou dele. Mesmo assim, só aparecia na 51ª posição entre os favoritos."

Candidatos de peso

Conforme o especialista em Vaticano Ignazio Ingrao, a pressão que o país faz for um papa local pode ser justificada pelo número reduzido de italianos neste conclave em relação aos anteriores.

Ingrao diz que o pequeno número de votos italianos é compensado com o peso das candidaturas, com cardeais apontados como mediadores de alto nível, que se destacam entre os participantes do conclave de 52 nacionalidades diferentes.

Entre os italianos que aparecem como papáveis, o cardeal de Milão é visto como o mais forte e o que mais faz campanha.

Segundo os analistas, Tettamanzi se dedica à campanha há mais de dois anos e hoje aparece como um candidato de sucesso.

Além de fazer lobby com membros da Igreja e também com a imprensa, sempre procurou cobrir todos os espaços possíveis, como organizando grandes vigílias em momentos estratégicos contra a guerra do Iraque e a globalização.

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