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Milhares se despedem do papa na Basílica de São Pedro | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Milhares de pessoas passaram a noite na fila para se despedir do papa João Paulo 2º, cujo corpo está sendo velado na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Estima-se que dois milhões de pessoas passem pelo local até a próxima sexta-feira, quando ocorrerão o funeral solene e o enterro. Algumas pessoas chegaram a passar mal de desidração, mas poucas desistiram de prestar a sua homenagem ao pontífice. "Ele sacrificou a sua vida inteira pela Igreja, algumas horas não significam nada", disse a irmã Simone, uma feira que viajou da Áustria para ver o papa. A Basílica de São Pedro vai ficar aberta pelos próximos três dias, fechando apenas durante três horas a cada noite para manutenção. "Durante toda a minha vida ele esteve comigo nos momentos mais difíceis", disse Marcela Sogos, de 36 anos, à agência de notícias Reuters. "Eu esperaria para sempre para vê-lo. Eu não queria perder (o velório), da mesma forma como eu não deixaria de ir ao funeral do meu pai", acrescentou a italiana da Sardenha. Cerca de 200 autoridades, incluindo o presidente George W. Bush, deverão comparecer ao funeral. Luto O enviado especial da BBC Brasil a Roma, Edson Porto, informa que tem chegado tanta gente à cidade que a prefeitura de Roma reservou três estádios esportivos para montar acampamentos para quem não encontrar uma cama. Praticamente não há mais hotéis ou pensões com camas disponíveis. Na Polônia, terra natal do pontífice, a demanda por viagens à Itália é tão grande que as agências de turismo não estão dando conta. Os 2 milhões de visitantes esperados vão quase dobrar a população da cidade, cuja área metropolitana tem menos de 3 milhões de habitantes. A Itália declarou três dias de luto oficial, mas em outros países as homenagens públicas ao papa geraram polêmica. Na França, o governo descreveu a sua ordem para que as bandeiras fossem hasteadas a meio mastro como uma simples homenagem, depois de receber críticas de que o ato infringia a tradicional separação entre Igreja e Estado. Na Irlanda, um dos países mais católicos da Europa, o fechamento das escolas foi considerado insuficiente pela oposição, que pede que o primeiro-ministro Bertie Ahern decrete um dia oficial de luto. Por fim, a MTV húngara foi criticada por não interromper a sua programação de sábado para anunciar a morte do papa. Reunião dos cardeais Um grupo de 65 cardeais decidiu nesta segunda-feira que o funeral solene do papa acontecerá na sexta-feira às 10h (5h em Brasília) e que ele será sepultado nas Grutas Vaticanas, localizadas no subterrâneo da Basílica de São Pedro, onde estão os restos de outros pontífices. Esta foi a primeira reunião dos cardeais desde a morte do papa. O colégio de cardeais é formado por 185 religiosos. O funeral de João Paulo 2º acontecerá na parte externa da Basílica de São Pedro, presidida pelo cardeal decano Joseph Ratzinger e concelebrada por todos os cardeais e pelos patriarcas das igrejas orientais. Liturgia As informações sobre as decisões tomadas pelos cardeais foram divulgadas pelo porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro Valls, na manhã desta segunda-feira. As próximas congregações gerais do órgão que assume o comando da Igreja Católica no período de "Sé Vacante" serão nesta terça-feira. Está prevista a participação de um maior número de cardeais, que aos poucos chegam a Roma. Assembléia Até o início do conclave, que deve acontecer entre 15 e 20 dias após o falecimento do papa, os cardeais se reúnem em congregações, ou assembléias diárias. São dois tipos de congregações: uma geral e outra particular. Nas reuniões gerais, presididas por Joseph Ratzinger, os cardeais tomam as decisões mais urgentes e preparam a realização do conclave. Além disso, eles intensificam os contatos entre si e começam a discutir a respeito dos principais problemas da Igreja Católica. As discussões abordam temas que se tornarão uma espécie de plataforma política que vai ajudar a definir o perfil do futuro papa. Todos os cardeais participam das congregações gerais, mesmo os que têm 80 anos e portanto não podem eleger o novo pontífice. As congregações particulares, no entanto, são reuniões de um grupo mais restrito, chefiado pelo cardeal camerlengo, Eduardo Martinez Somalo. São compostas por três cardeais com menos de 80 anos, escolhidos por sorteio e em rotação a cada três dias. Eles cuidam principalmente das questões administrativas e de rotina. |
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