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Portadores do HIV recebem orientação pelo celular | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Mensagens de texto em telefones celulares estão sendo usadas para ajudar os sulafricanos infectados com o vírus HIV, da Aids, a seguirem seu tratamento com medicamentos antiretrovirais, em uma iniciativa da Universidade da Cidade do Cabo. Cerca de seis milhões de sul-africanos são soropositivos - o país com o maior número de infectados com o vírus que causa a Aids -, cerca de 15% da população. Os pacientes que recebem os medicamentos podem ter que tomar até 30 comprimidos diferentes todos os dias. Se elas se esquecerem de tomar os remédios, o tratamento tem uma eficácia menor. O projeto consiste em conselheiros visitarem os pacientes e enviarem à universidade informações sobre seu tratamento, que são colocadas automaticamente num website. "O que este sistema faz é permitir que diretores de clínicas locais se concentrem em pacientes que realmente precisam de ajuda em caráter de urgência. É um sistema que dispensa totalmente papéis", disse Dirk Diago, diretor técnico do projeto Cell Life da universidade. Conselheiros Thembek Shole integra o projeto Cell Life (Vida Celular), gerenciado por pesquisadores da Universidade da Cidade do Cabo. Shole trabalha como conselheira de pessoas que vivem com HIV/Aids, em Gugulethu, um dos antigos subúrbios negros da Cidade do Cabo, onde a maioria dos moradores é pobre. O índice de desemprego é de 60% e, segundo estimativas, três em cada dez são soropositivos. Thembek bate na porta da casa de Noxola Hans, onde ela é recebida como uma velha amiga, com abraços e beijos. Noxola foi infectada com o vírus HIV há quatro anos; ela está fraca e mal consegue falar. Não tem condições de trabalhar. Seus pais cuidam dela. Thembek visita Noxola e mais de 100 outras pessoas em situação semelhante todas as semanas. Thembek registra as informações que recebe dos pacientes em seu celular especialmente programado. Noxola toma dez tipos diferentes de medicamentos no momento. Thembek cuida para que eles não sejam esquecidos. Conselheiros como Thembek trabalham na África inteira. O que é diferente aqui é a forma como a informação é recolhida. É rápido, confiável e, o que importa para muitas clínicas com poucos recursos nos subúrbios negros, é barato: cada mensagem custa apenas US$ 0,04 para enviar. Thembek envia as informações sobre o paciente diretamente para a Universidade da Cidade do Cabo. Website O website do projeto é seguro - as únicas pessoas com acesso a suas informações são trabalhadores da área da saúde em Gugulethu que têm uma senha especial. Elizabeth Seabe, uma gerente de 50 conselheiros em Gugulethu, é um desses trabalhadores. Ela pode buscar no site sinais preocupantes e alertar o médico de plantão sobre o estado de um paciente. "Quando todas as informações eram escritas a mão, havia coisas não confiáveis e dados eram, por vezes, perdidos." "Agora eu posso verificar a situação de todas as pessoas que são soropositivas simplesmente acessando o site. Mudou totalmente a forma como trabalhamos", concluiu Seabe. Em uma clínica pobre de recursos como a de Gugulethu, pequenos avanços como este fazem uma diferença significativa no tratamento cotidiano da crescente população de soropositivos da África do Sul. |
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