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Fiéis ignoram veto e fotografam corpo do papa com celular | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Eles foram a Roma prestar uma homenagem ao papa. Mas será que tirar uma foto do papa morto com um telefone celular é falta de respeito ou apenas um sinal de como os tempos mudaram durante os 26 anos do pontificado de João Paulo 2º? Para alguns, fotografar o corpo do papa é de mau gosto, inapropriado e desrespeitoso. Para outros, é uma forma de registrar um momento histórico e dividi-lo com aqueles que não puderam ir ao Vaticano. Com a tecnologia de celulares cada vez mais avançada, muitas pessoas carregam câmeras por todos os lados em seus bolsos. Então, não é surpresa vê-las usando os celulares ou câmeras digitais em momentos como esse. Mas o assunto é delicado. Diretrizes sobre fotografar ou filmar um papa morto foram adotadas depois que o médico particular de Pio 12, Riccardo Galeazzi-Lisi, vendeu fotos sensacionalistas do papa - agonizando e já morto - para jornais em 1958. Proibição Tirar fotos ou filmar o papa em seu leito de morte foi proibido, e qualquer pessoa que queira fotografar o pontífice depois de sua morte deve pedir permisão ao seu chefe de gabinete e mostrar o corpo apenas com as vestes papais. Julian Baggini, editor da revista The Philosophers, diz que as pessoas freqüentemente tentam fazer julgamentos de caráter moral sobre assuntos que são apenas uma questão de etiqueta social. "A tecnologia mudou a forma como nos relacionamos com o mundo", diz Baggini. "Jovens usam seus telefones celulares para compartilhar todos os momentos. É uma coisa boa socialmente." Daniel Sokol, professor de ética médica no Imperial College, em Londres, diz que é importante relativizar as reações iniciais ao fato de haver pessoas tirando fotos do corpo do papa. "Se acham desrespeitoso, é porque pode ser incomum ver um cadáver em suas culturas. Mas isso não é um argumento para dizer que é imoral", afirma. Reações diferentes podem ser creditadas a diferenças culturais, diz o jornalista Freddy Gray, do jornal católico Herald. "Os britânicos em geral não entendem as atitudes de italianos e espanhóis em relação à morte", analisa. "Italianos e espanhóis têm uma outra maneira de pensar, não temem o corpo de um morto. Na Grã-Bretanha hoje em dia, a morte é tratada da mesma maneira que o sexo na época vitoriana. Não se fala sobre o assunto, e quando se fala, são usados eufemismos." |
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