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Morte do papa é vitória para a Igreja, diz dom Eugênio | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Ao desembarcar em Roma para prestar sua homenagem a João Paulo 2º, o cardeal dom Eugênio de Araújo Salles disse que a morte do papa é uma “vitória para a Igreja”, apesar de representar também uma dor para os fiéis. “A morte do papa João Paulo 2º é uma vitória, tanto para ele como para a Igreja e todos nós. Mas a morte é sempre algo que fere profundamente, principalmente, nesse caso, para mim também, que era muito ligado (a ele) e (o) conhecia havia muito anos.” Segundo ele, a "vitória" se deve ao fato de que "pela primeira vez no mundo inteiro, o mundo se une, não em torno da pessoa viva, mas se une em torno da pessoa morta.” “Você pode examinar a história do mundo, em momento algum, em circunstância alguma, nunca todo o mundo foi mobilizado em torno de alguma coisa, e o papa conseguiu isso, não vivo, mas morto.” Interligação O arcebispo emérito do Rio de Janeiro disse que considera que a morte de João Paulo 2º um evento sem precedentes. “Isso (a mobilização), eu acho que é um fator muito importante para a paz, para a concórdia, a interligação dos povos entre si, em trono de uma figura como João Paulo 2º.” Aos 84 anos, dom Eugênio não vai participar da votação para a escolha do próximo papa, que foi marcada para começar no próximo dia 18 de abril. No entanto, ele, que ajudou a eleger os dois últimos papas, avalia que a escolha do novo pontífice será rápida. “Eu acho que (o conclave) não será longo, pois há muitos contatos hoje entre os cardeais”, disse dom Eugênio. “Creio que isso ajudará.” Além disso, ele acredita que os encontros entre os cardeais que ocorrerão nos próximos dias devem ajudar no processo, embora diga que quem escolhe o papa é, na verdade, o Espírito Santo. Noviço Isso também é o que afirma o cardeal dom Geraldo Majella Agnello, arcebispo de Salvador, que chegou a Roma na terça-feira. “Não tenho nenhum nome que eu trouxe na minha consciência ou no meu coração para votar”, afirmou. “Quem escolhe é o Espírito Santo.” Assim como dom José Freire Falcão, arcebispo emérito de Brasília, que tem 79 anos de idade, dom Geraldo Majella também afirma que, aos 71 anos, se sente como um noviço no conclave. A grande maioria dos cardeais que vão participar do conclave nunca votou para eleger um papa. Também na terça-feira, outro cardeal brasileiro com direito a voto no conclave, dom Eusébio Oscar Scheid, afirmou ao chegar a Roma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “não se entende muito bem” com o Espírito Santo. “Não, não mistura o Lula nessa história ainda não. Aí confunde tudo, porque ele com o Espírito Santo não se entende muito bem”, disse dom Eusébio, que é arcebispo do Rio de Janeiro. A frase foi dita no aeroporto em resposta a um jornalista que perguntou se não estava na hora de o mundo ter um papa brasileiro, especialmente agora que o país tem um “presidente operário”. Sobre a viagem de Lula para acompanhar o enterro do papa João Paulo 2º na sexta-feira, dom Eusébio disse que o presidente fará a viagem “graças a Deus”. “Ele faz um bom gesto. Certamente vai tirar um dividendo político disso”, disse. O cardeal assistirá ao sepultamento do papa na sexta-feira e, depois, participará do conclave para a escolha do sucessor de João Paulo 2º. |
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