|
Relatório do FMI prevê petróleo caro no longo prazo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma elevação contínua dos preços do petróleo nos próximos anos, com o aumento do consumo e a limitada capacidade de aumento da produção dos países exportadores, no relatório anual Panorama Econômico Mundial, divulgado nesta quinta-feira. O aumento dos preços do petróleo deve ser um dos fatores para a redução do crescimento econômico mundial neste e no próximo ano, calculado pela instituição entre 0,7 e 0,8 ponto percentual inferior ao do ano passado. A institutição prevê que os preços devem continuar subindo, nos próximos anos, até chegar a uma média entre US$ 67 e US$ 96 o barril, em termos reais, em 2030. Mas um outro relatório do Fundo, também divulgado nesta quinta-feira, diz que o recente aumento dos preços deve ser colocado em perspectiva e que a elevação atual é menor do que a crise do petróleo dos anos 70 e que em termos reais o petróleo está abaixo do pico histórico, mas reforça a tese de que a perspectiva a médio prazo é de alta. Produção x consumo A elevação dos preços é sustentada pela combinação de consumo crescente com uma produção que aumenta em um ritmo muito mais lento. “O choque de preços é permanente e os países emergentes precisam se ajustar a isso”, diz o conselheiro econômico e diretor de pesquisa do FMI, Raghuram Rajan. O FMI recomenda o aumento das reservas de petróleo pelos países importadores, para se protegerem de um elevação abrupta nos preços ou na oferta, e diz que a ampliação da capacidade de produção beneficiaria tanto os produtores como os importadores de petróleo. De acordo com as estimativas da instituição, o consumo de petróleo deve subir dos atuais 82,4 milhões de barris por para 92 milhões de barris por dia em 2010 e 1385 milhões de barris por dia em 2030. A maior parte desse incremento – 60% – será causada pelo aumento no uso dos meios de transporte, principalmente automóveis. Esse movimento é mais acentuado na Ásia, com o forte crescimento econômico e melhora do padrão de vida de países como China e Índia. O estudo do FMI mostra que uma renda per capita de US$ 2,5 mil ao ano, no cálculo ajustado em poder de compra local, já significa uma rápida elevação na aquisição de veículos. Na China, o estudo prevê que o número de veículos deve saltar de 16 por 100 mil habitantes em 2002 para 267 por 100 mil em 2030. “Mesmo levando em conta a melhoria tecnológica, o aumento do número de pessoas que usam transporte é muito grande”, afirma Rajan. Já a produção de petróleo cresce num ritmo muito menor, porque a capacidade ociosa é pequena. 70% das reservas confirmadas no mundo são controladas pelos países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Flutuações O Panorama Econômico Mundial também afirma que as flutuações nos índices de crescimento econômico são três vezes mais comuns nos países em desenvolvimento do que nos países desenvolvidos. “Um fator-chave é que 60% da volatilidade ocorreram devido a eventos gerados dentro do próprio país, e não a fatores externos”, afirmou Rajan. Nos países industrializados, os fatores internos são responsáveis por 40% da volatilidade. “A volatilidade tem um impacto negativo no crescimento, na redução da pobreza e no bem-estar das pessoas”, diz o relatório. O estudo também analisa o impacto da globalização no déficit público dos Estados Unidos. “A globalização cria a possibilidade de ajustes globais menos custosos”, diz Rajan. Isso é possível por causa do aumento do comércio e o crescimento econômico na Ásia, ao mesmo tempo em que o interesse dos investidores de financiar os déficits dá ao governo mais tempo para fazer os ajustes e evita uma queda mais acentuada do dólar. Mas ele alerta que um ajuste rápido poderia ter consequências severas para o resto do mundo, levando à desvalorização abrupta do dólar, aumento das taxas de juros e crescimento econômico menor. Remessas O FMI estima em US$ 100 bilhões o volume de remessas enviadas por trabalhadores no exterior a seus países de origem no ano passado, em 90 países analisados no estudo. Esse volume é equivalente a 50% do fluxo total de capitais nos países estudados, mas em alguns países menores, como os do Caribe, as remessas de estrangeiros representam quase a totalidade do volume de recursos externos. O país que recebe o maior volume de remessas é a Índia, seguida do México e das Filipinas. O Brasil aparece em nono lugar. O Fundo argumenta que o fluxo de remessas é mais estável do que o fluxo de capitais para investimento, com um efeito contracíclico em épocas de crise econômica nos países de destino. A instituição defende a criação de políticas específicas para reduzir os custos de remessa de alguns países onde os custos bancários ainda são elevados. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||