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Dom Claudio pode tirar 'capa de conformismo' da Igreja, diz vaticanista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A moderação do cardeal arcebispo de São Paulo, dom Claudio Hummes, e sua capacidade de se orientar com facilidade entre as várias tendências da Igreja são vistas como qualidades "especiais" pelo vaticanista Giovanni Avena, diretor editorial da agência de notícias católica Adista, especializada em assuntos ligados à Igreja, principalmente nos países em desenvolvimento. "Dom Claudio Hummes pode ser um daqueles personagens que podem, durante este conclave, contribuir para tirar a capa de conformismo e silêncio que João Paulo 2º colocou sobre a Igreja Católica e abrir discussões importantes, sem censuras e criar as condições de um pluralismo legítimo." Na opinião de Avena, o grupo dos chamados progressistas, que pleiteiam mudanças na organização e no comando da Igreja, está mal e pouco representado. Mas ele considera que alguns cardeais conhecidos como moderados e até conservadores escondem tendências mais abertas. 'Ambíguo' O próprio decano do colégio cardinalício, Joseph Ratzinger, em sua opinião, é um deles. Assim como o arcebispo de São Paulo. "Durante o pontificado de João Paulo 2º, quando nomeados, os cardeais deviam jurar que respeitariam uma certa linha: não reivindicar o sacerdócio de mulheres, a abolição do celibato, a reforma da cúria e um novo concílio. Este foi o único critério que guiou as nomeações feitas por João Paulo 2º", critica. Avena define dom Claudio como um personagem "ambíguo", capaz de intuir os tempos, que percebe a "necessidade de renovação e portanto de reabertura do diálogo, inclusive com a teologia da libertação". "É possível que venham à tona os intuitos, inspirações e estratégias mais abertas, mais livres e liberadoras", analisou. 'Abriu as portas a Lula' Nos perfis de página inteira que um dos jornal mais importante da Itália está dedicando aos "papáveis", os cardeais com mais chances de serem eleitos como sucessor de João Paulo 2º, a figura de dom Claudio é o destaque desta quinta-feira. No título, o Corriere della Sera diz que dom Claudio é um "filho de imigrantes, abriu as portas aos operários de Lula". A reportagem recorda que o arcebispo de São Paulo teve que enfrentar o abandono da Igreja Católica da parte dos fiéis para os cultos evangélicos e a teologia da libertação. O jornal traz em destaque duas frases ditas pelo cardeal, que podem fornecer elementos para entender melhor sua personalidade e linha política, em vista das discussões e das alianças durante o conclave. "A Igreja não pode dar respostas antigas a questões novas", disse ele. "Devemos ouvir, discutir, encontrar elementos éticos novos", acrescentou. Considerado como um moderado e capaz de se orientar com facilidade entre as várias tendências presentes na Igreja Católica, dom Claudio Hummes é destacado também por suas afirmações sobre a necessidade de dedicar maior atenção a temas como a biotecnologia e bioética. De acordo com o análise feita pelo jornal italiano, o arcebispo de São Paulo "colocou o timão da Igreja no centro". |
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