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Atualizado às: 06 de abril, 2005 - 15h03 GMT (12h03 Brasília)
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Vaticano admite que catolicismo está perdendo espaço no Brasil

Missa para o papa João Paulo 2º na Catedral de Brasília
Missa para o papa João Paulo 2º na Catedral de Brasília
O catolicismo está perdendo espaço no Brasil, segundo dados do Vaticano obtidos com exclusividade pela BBC Brasil.

De acordo com o Escritório Central de Estatísticas da Igreja, em 1978, os batizados eram 90,1% da população brasileira e, em 2003, passaram a ser 85,51%.

Os técnicos examinaram o número de pessoas batizadas no Brasil e no mundo no período que vai de 1978 até 2003.

O relatório sobre o desenvolvimento da Igreja Católica já deveria ter sido divulgado, mas a publicação oficial foi suspensa por causa da morte do papa e adiada para depois do funeral.

Segundo os dados, em 1978, o número de habitantes no Brasil era de 115,4 milhões.

Os católicos eram quase 104 milhões, representando um percentual de 90,1% da população.

Já em 2003, segundo os mesmos dados, de 176,9 milhões de habitantes, 151,2 milhões eram católicos.

Mesmo continuando a ser o país com o maior número de católicos no mundo, "não se pode dizer que é o país mais católico do mundo", comentou para a BBC Brasil o responsável científico pela pesquisa, professor Enrico Nenna.

"A Itália, em termos relativos, tem maior incidência."

Em termos de vocações sacerdotais, no entanto, o estudo registra um incremento no Brasil.

O número de seminaristas quase triplicou, passando de 3.916 em 1978 para 9.845, um aumento de 151,4%.

Surpresas

O relatório analisa a situação do catolicismo em todo o mundo e traz algumas surpresas.

De acordo com os dados examinados, houve um aumento de 329 milhões de fiéis nesses 25 anos, representando um acréscimo de cerca 43%.

O número total de católicos passou de 757 milhões para 1,086 bilhão.

Mas, considerando-se o aumento da população mundial no mesmo período, registra-se na verdade uma queda (de cerca 1 ponto percentual) na relação entre as pessoas batizadas e o total da população.

A Europa apresenta uma situação estabilizada, perdendo cerca de 1% dos fiéis nesses 25 anos.

O continente africano teve um sensível aumento de católicos, quase triplicando o número das pessoas batizadas.

Em 1978, eram 55 milhões e, em 2003, passaram a ser 144 milhões. Esse aumento, de acordo com a análise dos estatísticos do Vaticano, deve-se apenas em parte ao crescimento demográfico.

Os católicos eram 12% da população africana em 1978 e representam atualmente 19%.

Uma pequena expansão no número de católicos também foi registrada na Ásia e na Oceania.

O estudo traz uma análise conclusiva, registrando o aumento de peso do continente africano (os fiéis passaram de 7% a 13% dos católicos no mundo) e a
decisiva diminuição do grupo europeu, que deixou de representar 35% dos católicos do mundo para abranger apenas 26% deles.

Segundo o relatório, as Américas (o texto não traz uma avaliação separada da América Latina) apresentam um "consolidamento positivo: quase a metade da população católica do mundo está nessa parte do planeta".

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