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Atualizado às: 21 de março, 2005 - 23h56 GMT (20h56 Brasília)
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Medo de violência continua na Chechênia apesar de morte de líder rebelde

Cena de rua em Grozny
Grozny tem postos de contole armados por todos os cantos
Na poeirenta cidadezinha de Tolstoy-Yurt, que não fica longe da capital, Grozny, as crianças podem jogar futebol porque as aulas foram canceladas.

As janelas da escola em que elas estudam foram quebradas quando tropas russas explodiram uma casa em frente onde dizem ter descoberto e matado o líder rebelde Aslan Maskhadov.

Ele era um dos homens mais procurados pelo governo russo, e os moradores de Tolstoy-Yurt ainda estão tendo que se adaptar à idéia de que ele estava escondido em seu meio.

“Nós ouvimos a explosão, mas só soubemos o que estava acontecendo pela TV”, diz Viskhan, que vive na mesma rua.

“Os soldados não deixavam ninguém sair na rua. Eu ainda de certa forma não acredito.”

A casa onde Maskhadov foi encontrado foi reduzida a uma pilha de tijolos; os escombros misturados com seus pertences pessoais.

Para o governo russo, a morte representa um importante passo em direção à paz. Mas a Chechênia ainda se sente, de uma forma geral, em uma zona de guerra.

Resolução russa

Em Grozny, há postos de controle militares em quase todas as curvas, homens armados em cada esquina.

O governo pró-russo está escondido detrás de múltiplos anéis de concreto reforçado e arame farpado – proteção contra combatentes rebeldes que consideram que se trata de um alvo legítimo.

Mas, dentro da fortaleza, o muito comemorado processo de “normalização” está a todo vapor. Os participantes fazem fila para participar de uma mesa redonda que vai discutir as eleições parlamentares do terceiro trimestre.

A Rússia diz que esta é a sua solução para a Chechênia: um processo político acompanhado de uma operação antiterrorista.

Por isso o presidente checheno, Alu Alkhanov, está furioso com a insistência do Ocidente em negociações de paz e da imagem que se faz de Maskhadov como um moderado com quem Moscou poderia ter feito um acordo.

“Eu acho que falar em negociações é um sacrilégio”, diz Alkhanov. “Maskhadov era um terrorista contra seu próprio povo.”

“A Chechênia escolheu o seu próprio caminho para a paz, e isso não vai mudar.”

Caos

Mas, mesmo na cantina do governo, pouca gente está convencida de que a morte do líder rebelde tenha tornado a paz mais próxima.

Há quem tema que muitos estão tendo lucros com o conflito neste momento.

Outros, como uma funcionária chamada Malika, apontam para o fato de que rebeldes mais radicais continuam à solta.

“Eu lamento por Maskhadov, para ser honesta”, diz ela.

“Não acho que nada vai mudar agora que ele se foi. Ele não tinha poder.”

Do outro lado da cidade, na rede de TV estatal Vainakh, editores estão se preparando para filmar um imã falando sobre os perigos do islamismo radical – um programa que é transmitido regularmente hoje em dia.

A rede acompanha a linha de Moscou a respeito do conflito, retratando os rebeldes como extremistas religiosos – parte de uma guerra internacional contra o terrorismo.

“A Chechênia passou por 12 anos de caos, e isso foi um celeiro de radicalismo”, diz Beslan Khaladov, o diretor-geral da Vainakh.

“Agora é importante que se ensine o verdadeiro Islã para se contrapor à influência e ao dinheiro que está vindo de outros países para alimentar o extremismo aqui.”

País Basco

Este é um argumento desenvolvido com mais facilidade agora que Maskhadov se foi.

Ele havia sido eleito presidente de uma Chechênia separatista nos anos 1990 e, enquanto estava vivo, foi um poderoso símbolo da primeira guerra pela independência da república.

Mas agora quem está no comando dos rebeldes é Shamil Basayev, o líder militar que reivindicou responsabilidade pessoal pelo cerco a uma escola de Beslan, no ano passado, que acabou em tragédia.

Pelo que ele está lutando?

“Oficialmente ele está lutando pela independência da Chechênia, este é o seu slogan”, diz Alexei Malashenko, um especialista na política da região do Cáucaso.

“Mas, não-oficialmente, eu acho que ele não acredita que isso seja possível. Eu acho que nós podemos comparar sua luta com a resistência basca na Espanha. Quem acredita no colapso da Espanha? Ninguém. Mas os ataques continuam.”

Mas, diferentemente do que ocorre na Espanha, na Chechênia as pessoas vivem com medo da violência diariamente.

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