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Atualizado às: 18 de março, 2005 - 00h13 GMT (21h13 Brasília)
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Iraque motivou 'guerra' entre neoconservadores e petrolíferas

Falah Aljibury
Aljibury ajudou Departamento de Estado a elaborar plano
O governo Bush elaborou planos para atacar o Iraque e para dispor do petróleo do país antes dos atentados de 11 de setembro de 2001, detonando uma batalha política entre os chamados neoconservadores e grandes empresas petrolíferas, de acordo com uma investigação feita pela BBC.

Dois anos atrás – quando o presidente George W. Bush anunciou que os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e seus aliados começariam a bombardear Bagdá –, manifestantes afirmaram que os americanos tinham um plano secreto para fazer uso do petróleo iraquiano na era pós-Saddam Hussein.

Na verdade, havia dois planos conflitantes, dando vazão a uma guerra política oculta entre, de um lado, os neoconservadores do Pentágono e, de outro, uma coalizão de executivos do setor petrolífero e “pragmáticos” do Departamento de Estado.

As empresas parecem ter vencido. O último plano, obtido pela BBC do Departamento de Estado, foi, conforme a BBC apurou, elaborado com a ajuda de consultores da indústria petrolífera americana.

Personagens intimamente envolvidos com a questão disseram que o planejamento começou “semanas depois” que Bush assumiu o governo, em 2001 – muito antes dos ataques contra Nova York e Washington.

Privatização

Um consultor nascido no Iraque, Falah Aljibury, disse que participou de encontros secretos na Califórnia, em Washington e no Oriente Médio. Ele descreveu um plano do Departamento de Estado para forçar um golpe contra o governo de Saddam Hussein.

Ele disse à BBC que entrevistou, para o Departamento de Estado, sucessores em potencial de Saddam.

O plano preferido da indústria petrolífera foi deixado de lado em favor de outro projeto, elaborado logo antes da invasão, em 2003, que defendia a venda dos campos de petróleo iraquianos.

O novo plano foi elaborado por neoconservadores que queriam usar o petróleo do Iraque para destruir o cartel da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) por meio de um grande aumento da oferta do produto.

De acordo com Robert Ebel, um ex-analista da área de energia da CIA, o serviço secreto americano, o plano da venda dos campos de petróleo recebeu o sinal verde em um encontro em Londres encabeçado pelo então líder da oposição iraquiana no exílio, Ahmed Chalabi.

Ebel, que hoje está no Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington, disse à BBC que foi a Londres a pedido do Departamento de Estado.

Insurreição

Por sua vez, Aljibury, que em outros tempos atuou como uma espécie de elo secreto do governo Reagan com Saddam, afirma que os planos para vender os campos de petróleo, levados em frente pelo conselho de governo interino instalado pelos EUA em 2003, ajudaram a alimentar a insurreição contra as tropas de ocupação.

“Os insurgentes usaram isto, dizendo, ‘vejam, eles estão entregando o nosso país, vocês estão perdendo seus recursos para um punhado de bilionários que querem tomar o que é seu e tornar suas vidas miseráveis”, disse Aljibury de sua casa, perto de São Francisco.

“Nós vimos um aumento dos bombardeios das instalações de petróleo, oleodutos, sob a premissa que a privatização estava chegando.”

O esquema de venda dos campos de petróleo foi bloqueado por Philip Carrol, um ex-presidente da Shell americana que assumiu o controle da produção de petróleo iraquiana um mês depois da invasão.

Carrol disse à BBC que falou a Paul Bremer, o chefe da administração provisória instalada pelos Estados Unidos, que não haveria privatização das instalações de petróleo iraquianas “enquanto eu estivesse envolvido”.

Para Ariel Cohen, um especialista da Fundação Heritage, um bastião do pensamento neoconservador, foi perdida uma oportunidade de privatizar os campos de petróleo iraquianos.

Ele defendeu o plano como uma forma de os Estados Unidos derrotarem a Opep.

Um porta-voz do Departamento de Estado disse à BBC que eles tentaram "fornecer todas as possibilidades para o Ministério do Petróleo do Iraque sem advogar nenhuma".

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