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Atualizado às: 16 de março, 2005 - 10h53 GMT (07h53 Brasília)
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Para ONG, Iraque pode ter maior escândalo de corrupção da história

Insurgentes em Falluja
Entidade diz que país está particularmente vulnerável à corrupção
Um relatório divulgado nesta quarta-feira pela entidade não-governamental Transparência Internacional afirma que o Iraque "corre o risco de se tornar o maior escândalo de corrupção da história, com conseqüências enormes e duradouras para sua população".

O estudo Corrupção Global 2005 afirma que a corrupção é particularmente difícil de ser rastreada em países "que passaram por conflitos, que contam com governos fracos e mercados negros em expansão, e que receberam súbitos fluxos de doações financeiras", como Iraque, Afeganistão, Camboja e República Democrática do Congo.

O capítulo dedicado ao Iraque é um dos destaques do documento, centrado no setor de construção que, de acordo com a Transparência Internacional, é um dos mais propensos a gerar casos de corrupção.

O historiador Francis Fukuyama, que assina o prefácio do documento, afirma que o Iraque é sintomático dos severos dilemas enfrentados pelos envolvidos na reconstrução em regiões que passaram por conflitos, uma vez que tem havido no país "grande pressão política para assinar contratos rapidamente, o que gera a possibilidade de burlar as leis normais de aquisição".

'Nova era'

O segmento dedicado ao Iraque, intitulado Corrompendo o Novo Iraque afirma que o dia 9 de abril de 2003 "não foi apenas o dia em que a maior parte dos iraquianos celebrou a queda do regime de Saddam Hussein".

De acordo com o texto, a data "representou também, aos olhos de muitos iraquianos, o dia que marcou o início de uma nova era de intenso roubo de propriedades estatais e corrupção".

O relatório afirma que o contexto caótico do país contribui para a corrupção, uma vez que "muitas empresas nem mesmo sabem quantos trabalhadores existem em sua folha de pagamento".

O documento oferece relatos práticos de como a corrupção se manifesta no dia-a-dia iraquiano, citando um grande mercado de rua, no centro de Bagdá, onde "vendedores e consumidores negociam medicamentos roubados e equipamentos médicos fornecidos por funcionários públicos corruptos".

O estudo afirma que denúncias de corrupção têm sido constantes entre ministros, empreiteiros e assessores políticos, e cita o ex-ministro do Comércio iraquiano, Ali Allawi, que acusou autoridades de sua própria pasta de terem desviado cerca de US$ 40 milhões, durante o programa Petróleo por Comida, instituído pela ONU ainda durante o regime de Saddam, quando o país enfrentava embargo econômico.

O texto afirma que o programa "exacerbou comportamentos corruptos entre autoridades iraquianas, que enriqueceram fechando acordos corruptos com empresas estrangeiras às custas dos iraquianos mais pobres. Para muitos servidores públicos, que ganhavam salários de US$ 5, a corrupção era o único caminho para alimentar suas famílias".

O estudo comenta também que "o controle da economia pelo antigo regime deixou um legado de corrupção, com pesados subsídios estatais distorcendo preços de mercado e aumentando a tentação de vender produtos mais baratos no mercado negro ou de contrabandear produtos para os países vizinhos".

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