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Crise política acentua divisões na Bolívia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A crise política na Bolívia, desencadeada pelo pedido de renúncia do presidente Carlos Mesa, acentuou as divisões na sociedade boliviana, que reagiu aos desdobramentos com posturas distintas. A oposição, surpresa com a renúncia de Mesa, decidiu suspender boa parte dos bloqueios que eram realizados na região de Sucre, mas manteve obstáculos na estrada entre Cochabamba e Santa Cruz de la Sierra. Os protestos da oposição, no entanto, foram acompanhados por manifestações de apoio ao presidente Carlos Mesa, que ainda sustenta bons níveis de popularidade –principalmente junto à pequena, mas influente, classe média boliviana. Uma pesquisa publicada pelo jornal La Razón, de La Paz, indica que 52% da população nas quatro maiores cidades do país apóia o presidente. Na segunda-feira, marchas de apoio a Mesa foram realizadas em sete cidades, incluindo Cochabamba, Oruro, Sucre e La Paz, onde um pequeno grupo chegou a iniciar uma greve de fome em solidariedade ao presidente. Em alguns pontos do país, enfrentamentos entre simpatizantes e opositores de Carlos Mesa foram registrados, mas a situação foi controlada sem maiores problemas. Divergências A instabilidade política na Bolívia é sustentada por uma série de divergências entre setores da sociedade civil e o governo. A principal delas gira em torno da proposta da oposição de aumentar os royalties pagos ao governo pelas empresas estrangeiras que exploram gás e petróleo no país. Além disso, na região da cidade de El Alto, próxima a La Paz, movimentos locais mobilizaram a população para bloqueios de estradas com o objetivo de exigir a saída do país da empresa Águas do Illimani. A companhia, que pertence ao grupo francês Suez Lyonaisse des Eaux, explora o fornecimento de água na região e é acusada pelos moradores locais de dolarizar os preços das tarifas e de não cumprir as metas de ampliação do serviço. O terceiro problema enfrentado pelo governo é a pressão movida pela elite da província de Santa Cruz, área mais próspera do país, que pede uma maior autonomia para a região. Pobreza A Bolívia é um dos países mais pobres da América do Sul, apesar de contar com importantes recursos naturais. Nos últimos anos, a incidência da pobreza no país caiu de 70% para cerca de 58% da população. No entanto, na área rural boliviana, a pobreza ainda supera 80% - e a cidade de El Alto é uma das mais pobres do país. A situação na região contrasta com a prosperidade na província de Santa Cruz, principal centro econômico da Bolívia, que concentra a produção agrícola do país e é rica em hidrocarbonetos e minérios. Líderes empresariais de Santa Cruz de la Sierra defendem a iniciativa privada e a abertura do país para o capital estrangeiro. Já o líder do Movimento ao Socialismo (MAS), Evo Morales, afirma que os bolivianos precisam se unir para combater aqueles que tentam “saquear” e “roubar” o país. Morales acusa o presidente Carlos Mesa de apresentar sua renúncia para “liqüidar” o MAS e todos os outros movimentos indígenas e grupos sociais por meio de uma “aliança estratégica” do governo com empresas multinacionais e “grupos oligárquicos de Santa Cruz”. De acordo com Morales, quando os empresários de Santa Cruz realizaram bloqueios na região, o governo decidiu apelar para as negociações. Agora que os protestos são liderados pela oposição, diz o líder do MAS, Mesa pediu renúncia para tentar jogar a população contra os movimentos sociais e indígenas. |
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