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Bolívia negocia ‘pacto social’ para conter crise | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo da Bolívia e os principais grupos políticos do país negociam uma solução constitucional para a crise desencadeada pelo pedido de renúncia do presidente Carlos Mesa. No final da tarde desta terça-feira, o Congresso Nacional se reúne em sessão conjunta para decidir se aceita a renúncia de Mesa – entregue formalmente ao Parlamento no dia anterior. O governo boliviano defende a formação de um "pacto social", com a participação de representantes de todos os setores políticos do país, para tentar resolver a crise política e social que assola a Bolívia. Um acordo poderia garantir a permanência de Mesa no poder, mas o sucesso do "pacto social" depende da negociação de uma nova proposta, capaz de agradar governo e oposição, para a lei que regula a exploração de gás e petróleo no país. Lei de Hidrocarbonetos A carta de renúncia de Mesa foi apresentada pelo governo boliviano como uma reação aos bloqueios de estradas que desde a semana passada paralisam o país. Com os protestos, a oposição pressionava o governo a aumentar os valores cobrados pelo país das empresas estrangeiras de exploração de gás e petróleo que atuam na Bolívia. Os lideres da oposição defendem a aprovação de uma proposta que estipula o pagamento ao governo de 50% de royalties da exploração de gás e petróleo no país. A proposta defendida pelo governo, e aprovada em votação que acabou anulada pelo Congresso, determinava o pagamento de 32% em impostos e 18% em royalties. A oposição é contra a posição do governo porque afirma que as multinacionais do setor energético que atuam na Bolívia são muito habilidosas em encontrar maneiras para pagar menos impostos. O governo diz que a proposta da oposição é "inviável e impossível" porque não seria aceita pela comunidade internacional e tornaria a Bolívia alvo de uma série de processos milionários movidos por empresas multinacionais de petróleo. Pelo menos 26 empresas estrangeiras, entre elas a Petrobras, Total, British Gas, Exxon Mobil e Repsol podem ter seus contratos na Bolívia cancelados se a nova lei defendida pela oposição for aprovada. Negociação Para chegar a um acordo, representantes do governo e dos partidos bolivianos se reuniram na noite de segunda-feira para discutir a Lei de Hidrocarbonetos. De acordo com a imprensa local, o ministro da Presidência (uma espécie de chefe de gabinete), José Galindo, insistiu que o governo não pode aceitar a proposta da oposição, mas aceita negociar uma solução alternativa “que não torne o país inviável”. "Não é possível aprovar uma Lei de Hidrocarbonetos que deixe o país à deriva em sua economia", disse Galindo. "O presidente não impõe condições, são acordos aos quais todo o país deve chegar." A negociação de um pacto social recebeu o apoio de diversos setores da sociedade boliviana, incluindo a Igreja Católica, e de lideranças políticas como o senador Hormando Vaca Díez, presidente do Congresso e sucessor constitucional de Mesa caso a renúncia seja aceita. Outros partidos políticos, inclusive membros da oposição também manifestaram apoio a iniciativa. No entanto, o principal grupo da oposição boliviana, o Movimento ao Socialismo (MAS), acusa o governo de promover uma "chantagem". Apesar do apoio de alguns membros do MAS ao "pacto social", o líder da organização e representante dos produtores de coca da Bolívia, Evo Morales, disse que não aceita discutir a carta de renúncia de Mesa no Congresso por tratar-se de "um panfleto". O MAS estaria disposto a ignorar a renúncia de Mesa, que teria então duas opções: seguir como presidente até o final de seu mandato, em 2007, ou apresentar um novo pedido de renúnia – desta vez, em caráter irrevogável. |
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