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Atualizado às: 08 de março, 2005 - 16h09 GMT (13h09 Brasília)
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Bolívia negocia ‘pacto social’ para conter crise

Bolivianos foram às ruas tanto para protestar como para apoiar Carlos Mesa
Bolivianos foram às ruas tanto para protestar como para apoiar Carlos Mesa
O governo da Bolívia e os principais grupos políticos do país negociam uma solução constitucional para a crise desencadeada pelo pedido de renúncia do presidente Carlos Mesa.

No final da tarde desta terça-feira, o Congresso Nacional se reúne em sessão conjunta para decidir se aceita a renúncia de Mesa – entregue formalmente ao Parlamento no dia anterior.

O governo boliviano defende a formação de um "pacto social", com a participação de representantes de todos os setores políticos do país, para tentar resolver a crise política e social que assola a Bolívia.

Um acordo poderia garantir a permanência de Mesa no poder, mas o sucesso do "pacto social" depende da negociação de uma nova proposta, capaz de agradar governo e oposição, para a lei que regula a exploração de gás e petróleo no país.

Lei de Hidrocarbonetos

A carta de renúncia de Mesa foi apresentada pelo governo boliviano como uma reação aos bloqueios de estradas que desde a semana passada paralisam o país.

Com os protestos, a oposição pressionava o governo a aumentar os valores cobrados pelo país das empresas estrangeiras de exploração de gás e petróleo que atuam na Bolívia.

Os lideres da oposição defendem a aprovação de uma proposta que estipula o pagamento ao governo de 50% de royalties da exploração de gás e petróleo no país.

A proposta defendida pelo governo, e aprovada em votação que acabou anulada pelo Congresso, determinava o pagamento de 32% em impostos e 18% em royalties.

A oposição é contra a posição do governo porque afirma que as multinacionais do setor energético que atuam na Bolívia são muito habilidosas em encontrar maneiras para pagar menos impostos.

O governo diz que a proposta da oposição é "inviável e impossível" porque não seria aceita pela comunidade internacional e tornaria a Bolívia alvo de uma série de processos milionários movidos por empresas multinacionais de petróleo.

Pelo menos 26 empresas estrangeiras, entre elas a Petrobras, Total, British Gas, Exxon Mobil e Repsol podem ter seus contratos na Bolívia cancelados se a nova lei defendida pela oposição for aprovada.

Negociação

Para chegar a um acordo, representantes do governo e dos partidos bolivianos se reuniram na noite de segunda-feira para discutir a Lei de Hidrocarbonetos.

De acordo com a imprensa local, o ministro da Presidência (uma espécie de chefe de gabinete), José Galindo, insistiu que o governo não pode aceitar a proposta da oposição, mas aceita negociar uma solução alternativa “que não torne o país inviável”.

"Não é possível aprovar uma Lei de Hidrocarbonetos que deixe o país à deriva em sua economia", disse Galindo. "O presidente não impõe condições, são acordos aos quais todo o país deve chegar."

A negociação de um pacto social recebeu o apoio de diversos setores da sociedade boliviana, incluindo a Igreja Católica, e de lideranças políticas como o senador Hormando Vaca Díez, presidente do Congresso e sucessor constitucional de Mesa caso a renúncia seja aceita.

Outros partidos políticos, inclusive membros da oposição também manifestaram apoio a iniciativa. No entanto, o principal grupo da oposição boliviana, o Movimento ao Socialismo (MAS), acusa o governo de promover uma "chantagem".

Apesar do apoio de alguns membros do MAS ao "pacto social", o líder da organização e representante dos produtores de coca da Bolívia, Evo Morales, disse que não aceita discutir a carta de renúncia de Mesa no Congresso por tratar-se de "um panfleto".

O MAS estaria disposto a ignorar a renúncia de Mesa, que teria então duas opções: seguir como presidente até o final de seu mandato, em 2007, ou apresentar um novo pedido de renúnia – desta vez, em caráter irrevogável.

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