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Caio Blinder: Arma do Pentágono para garantir recrutas é reajustar bônus | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em fevereiro passado, pela primeira vez em quase cinco anos, o Exército americano não prencheu a cota mensal de recrutas enviados para o treinamento básico. Foram despachados 1.936 jovens a menos do que a meta de 7.050. Em depoimento no Congresso, o secretário do Exército, Francis Harvey, admitiu estar preocupado com o fluxo de sangue novo em um aparato militar que depende do alistamento voluntário. O plano é perfilar 80 mil novos recrutas este ano para substituir os soldados que se aposentam ou não querem se realistar. Será uma árdua missão. O impacto da guerra no Iraque - na qual já foi superada a marca de 1.500 mortes americanas em dois anos - torna menos atraente a carreira militar. E a melhoria da economia americana faz muitos jovens pensarem duas vezes antes de arriscarem a pele com um emprego no Pentágono. Veteranos A guerra do recrutamento claro que não está perdida. O Pentágono garante que a taxa de realistamento entre veteranos de primeira linha continua sólida. Para enfrentar os obstáculos há armas como centenas de recrutadores adicionais e o reajuste do bônus de alistamento para até US$ 20 mil por quatro anos de serviço ativo. No caso de soldados de operações especiais, o bônus de realistamento saltou para US$ 150 mil. Em entrevista ao jornal USA Today, a coronel Kelly Fraser, que monitora os níveis de tropas, admitiu que está em marcha o mais "agressivo programa de retenção desde a Guerra Civil americana" no século 19. Só com o bônus, serão US$ 400 milhões de gastos este ano. Mas dinheiro nem sempre bate a psicologia familiar. Na contra-ofensiva estão pais aconselhando os filhos a não investir em uma carreira militar mesmo com os benefícios educacionais. Vida no Exército pós-Iraque deixou de ser um passeio ou uma espécie de acampamento de verão com muito exercício. Apesar das dificuldades logísticas e da carga mais pesada de responsabilidades, o presidente George W. Bush garante que o status de Exército voluntário não será alterado. De fato, não há clima político para a reinstauração do alistamento militar obrigatório, que foi abolido pelo governo Nixon em 1973. O ex-subsecretário de Defesa Lawrence Korb (governo Reagan) observa que, para manter a máquina voluntária azeitada, não existe apenas a sedução, como aumentar o bônus. Queda de qualidade Há também a necessidade de espremer a tropa e baixar o padrão de qualidade dos recrutas. Novos recrutas são enviados para os campos de treinamento com mais rapidez e os testes de aptidão educacional são menos exigentes. Com os veteranos, há a extensão da permanência na zona de combate iraquiana. Este ano, 26 das 33 brigadas de combate do Exército estarão em atividade no exterior. No Iraque, 40% das tropas são compostas de reservistas ou de unidades da Guarda Nacional. Korb adverte que espremer a tropa voluntária gera problemas de moral. Outros especialistas militares americanos apontam problemas distintos com o crescente uso de incentivos financeiros para garantir a permanência de veteranos e atrair novos recrutas. O coronel reformado Jim Martin, professor de cultura militar da faculdade Bryn Mawr, visualiza uma mudança fundamental do caráter cívico da tropa voluntária para um papel mais mercenário. |
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