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Atualizado às: 21 de fevereiro, 2005 - 11h00 GMT (09h00 Brasília)
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A solidão dos britânicos
Ivan Lessa
Os britânicos não ficam quietos no mesmo lugar. Têm fama de fleumáticos, de introvertidos. Bota uma competição no meio que sai faísca. Em geral nos pubs nas imediações de um campo de futebol.

Como nós em meninos, gostam de serem os primeiros a piar quando vêem um balão. Aí está o Livro Guinness de Recordes, que não nos deixa mentir, enfileirando primeirões e maiorais nas mais diversas categorias.

Agora, medalha de ouro em Olimpíada, que é bom mesmo, é mais difícil. Os comentaristas, meio masoquistas, gozam o fato. A rigor, os britânicos deveriam sair da competição com um saco de medalhas. Cadê?

Em compensação, saem pelo mundo afora escalando o que aparecer, jogando-se ao mar, arrastando-se por desertos. Tudo para pegar uma menção no Guinness.

Esta semana, a iatista Ellen MacArthur quebrou o recorde mundial solo ao dar a volta ao mundo em 71 dias e pouco menos de 13 horas. Deixou longe para trás um francês, Francis Jolyon. Ellen foi recebida como heroína e feita Dama do (ex) Império em tempo talvez igualmente recorde.

Ellen foi téuda e manteúda o tempo todo pela última palavra em tecnologia e serviu, como ainda serve, de garota propaganda de multinacionais pouco esportivas.

Ellen conquistou os mares mas não um obstáculo quase insuperável: a simpatia de boa parte da imprensa e do público britânicos. Feriu-se, digamos assim, numa ponta de tecnologia.

Para mim, os britânicos saem mundo afora, a pé, montados em bode, pilotando teco-teco ou navegando catamarã, com um só objetivo: manter a tradição, ou mito, de que prezam sua privacidade, são solitários naturais.

Mentira. Os outros sempre tiveram que ser conquistados. Ou na marra – e o Império comprova – ou no trimarã. Quer dizer, ou os outros cumprem ordens ou morrem (às vezes, literalmente) de admiração.

É a solidão. Até a presença britânica no Iraque poderia ser assim explicada. Mas isso é outra história. Danada de complicada.

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