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Impacto dos juros no PIB preocupa Wall Street | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Economistas de instituições financeiras de Wall Street alertaram hoje para o impacto negativo que o aumento dos juros brasileiros possa ter sobre o crescimento econômico e a confiança dos investidores internacionais no Brasil. “Para manter os investidores calmos, o Brasil precisa crescer pelo menos 3,5% em 2005, como indica a maioria das previsões econômicas,” disse James Barrineau, vice-presidente de pesquisa global do fundo Alliance Capital. “O indicador chave para nós é a relação entre o PIB e a dívida brasileira, que caiu para 51% em 2004, mas continua muito alta. Se a subida dos juros inibir o crescimento econômico, deprimindo o crescimento do PIB, isso pode ser um problema para o país.” Reunidos no “Fórum Econômico Brasileiro”, um evento da Câmara de Comércio Brasil-EUA, os economistas disseram acreditar que o Banco Central esteja finalizando mais um ciclo de aperto monetário, iniciado em setembro de 2004. Na quarta-feira, o Banco Central elevou a taxa de juros básica em 0,5 ponto percentual, para 18,25% ao ano. 'Perto do pico' “Infelizmente, o Banco Central demorou muito para reagir ao aumento da inflação no ano passado,” disse Arturo Porzecanski, chefe do departamento de mercados emergentes do banco ABN AMRO. “Mas acredito que estamos perto do pico. É possível que ainda haja um aumento de juros em fevereiro, mas na ausência de um choque externo, os juros devem fechar o ano em queda, na casa de 16,5%”, completou. De acordo com Paulo Vieira da Cunha, economista-chefe para América Latina do banco HSBC, o Banco Central “já tem indicadores de que os níveis de atividade econômica mostram um arrefecimento da demanda”. “A lógica do Banco Central é não mudar a trajetória de subida de juros. Para o BC, a formação de expectativas para o mercado é quase mais importante do que o aumento de juros em si”, acrescentou. Entre os participantes do evento, o único analista a apoiar abertamente a subida dos juros foi Paulo Leme, diretor de pesquisa de mercados emergentes do banco Goldman Sachs. “Acho que o Banco Central agiu certo”, disse Leme, acrescentando que “ninguém gosta de juros altos, que saem caro para o país. Mas mais caro ainda seria a volta da inflação”. Câmbio Com relação à taxa de câmbio, os analistas afirmaram que o real não está artificialmente sobrevalorizado em relação ao dólar. “Dada a desvalorização global do dólar, o real ainda continua sendo uma moeda barata”, disse Leme. “Acredito que nos próximos três meses o real venha a oscilar entre 2,68 e 2,75 por dólar.” Indagado se o governo brasileiro deveria conter a valorização do real para ajudar o setor exportador brasileiro, Leme disse que tal política seria “um erro enorme”. “Concordo com o Paulo”, disse Drauzio Giacomelli, chefe de mercados emergentes do banco JP Morgan. “Mesmo com a apreciação do real, a mão de obra brasileira continua sendo muito barata. Para fortalecer suas exportações, o Brasil necessita promover uma reforma trabalhista e educar sua mão-de-obra”. |
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