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Atualizado às: 20 de outubro, 2004 - 23h54 GMT (20h54 Brasília)
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Para economistas, petróleo justifica alta de juros

Real
Para economistas, decisão pode estimular novos investimentos
A elevação da taxa básica de juros de 16,25% para 16,75% anunciada na noite desta quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central pode ter sido motivada pelo aumento do preço do petróleo no mercado internacional, segundo economistas ouvidos pela BBC Brasil.

A taxa de 16,75% ao ano sem viés –o que significa que não haverá mudança até a próxima reunião – foi escolhida unanimemente pelos diretores do Banco Central.

“Com um aumento tão forte do preço do petróleo no mercado internacional, que tem que ser repassado ao mercado interno pela Petrobras, o BC preferiu apertar mais fortemente agora e já começar o ano que vem com o pé direito e a inflação baixando”, avalia Arturo Porzekanski, economista-chefe para mercados emergentes do banco ABN/Amro em Nova York.

O petróleo já acumula mais de 60% de alta no mercado internacional. Nesta quarta-feira o barril do tipo Brent fechou a US$ 54,92 no mercado de Nova York.

“Com o preço do petróleo nesse patamar, e a economia se expandindo com bastante força, a probabilidade de você ter um repasse maior ao consumidor mais lá na frente aumenta”, afirma Nuno Câmara, economista sênior do banco de investimentos Dresdner Kleinwort Wasserstein em Nova York.

Inflação

O aumento dos juros seria um sinal para o mercado de que o Banco Central não vai tolerar uma alta da inflação no futuro.

Isso explicaria por que as recentes e inesperadas quedas de índices inflacionários não foram o bastante para convencer o Copom a optar por uma menor alta dos juros.

No mês passado, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), usado pelo governo para definir as metas inflacionárias, ficou em 0,33%, contra 0,69% em agosto.

 O crescimento na margem perde um pouco de fôlego, mas o Banco Central está almejando um crescimento sustentável, com estabilidade de preços. E é justamente isso que o empresário quer ver.
Nuno Câmara, economista sênior do banco de investimentos Dresdner Kleinwort Wasserstein em Nova York

Mesmo com a queda, o índice já acumula 5,49% desde janeiro, chegando praticamente à meta de inflação para 2004, de 5,5%. Para o ano que vem, a meta inflacionária é de 4,5%.

Os economistas reconhecem que a decisão pode limitar o potencial da recuperação econômica, mas avaliam que a decisão foi acertada e, ao contrário de inibir, pode até estimular investimentos.

“O crescimento na margem perde um pouco de fôlego, mas o Banco Central está almejando um crescimento sustentável, com estabilidade de preços. E é justamente isso que o empresário quer ver. Ao gerar uma previsibilidade para o empresário brasileiro você cria um ambiente melhor para o crescimento. Ele sabe que o Brasil talvez não cresça 4% no ano que vem, mas pode crescer 3% (ao ano) por um período mais prolongado”, analisa Câmara.

“O dinamismo da economia é suficientemente forte para sobreviver”, diz Porzekanski, que critica a “lentidão” do Banco Central. Para ele, o Copom deveria ter iniciado o processo de alta de juros mais cedo, elevando as taxas mais gradualmente.

Mais aumentos

Especialistas de mercado estimam que os juros subam ainda mais neste ano, encerrando 2004 em torno de 17%.

Câmara prevê que a última elevação será feita em dezembro e que as taxas, que hoje estão no maior patamar desde dezembro de 2003, começarão a baixar no segundo trimestre de 2004.

O economista acredita que os juros altos ajudarão a melhorar a imagem do Brasil diante dos investidores.

“Desta vez, é por um bom motivo. É um ajuste fino em relação ao crescimento. Ao contrário de situações passadas, quando havia fuga de capitais e crises externas”, explica Câmara.

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