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Atualizado às: 17 de dezembro, 2004 - 13h55 GMT (11h55 Brasília)
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Mercosul ampliado terá pouco impacto no Brasil, diz economista
Lula e Hugo Chávez em Belo Horizonte
Lula e Hugo Chávez se encontraram em Belo Horizonte
A entrada no Mercosul de Equador, Venezuela e Colômbia deve provocar um pequeno impacto no Brasil, na opinião do economista Francisco Panizza, da London School of Economics (LSE), da Universidade de Londres.

"O impacto será maior nesses países porque eles terão acesso ao mercado brasileiro, que é muito importante para eles. Mas as importações não serão significativas para o comércio exterior brasileiro", disse Panizza, em entrevista à BBC Brasil.

Os três países terão o mesmo status de Chile, Bolívia e Peru no Mercosul. Ou seja, participam da área de livre comércio, mas não aplicam as mesmas tarifas de importação que os quatro membros plenos (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), nem fazem parte de outros acordos ou mecanismos do bloco.

Nesta sexta-feira, os chefes de Estado do Mercosul participam de uma reunião de cúpula na cidade histórica de Ouro Preto (MG) para ratificar as decisões acertadas pelas delegações que participaram das reuniões iniciadas na quarta-feira em Belo Horizonte.

Futuro

O encontro também marca o aniversário de dez anos do documento que transformou o grupo de países do Cone Sul em uma união aduaneira, formalizando a configuração atual do Mercosul.

Mas a comemoração aparece como pano de fundo do encontro que deve evitar o assunto mais delicado para uma maior integração do bloco: as diferenças comerciais entre Brasil e Argentina.

Para o analista da LSE, o Mercosul está perdendo credibilidade internacional por causa dessas disputas. "O bloco está perdendo o seu sentido e continua sendo uma união superficial que não dá o resultado que deveria apresentar.

"O Mercosul está em uma situação muito difícil porque no fundo é uma aliança estratégica entre o Brasil e a Argentina. E enquanto essa aliança tiver problemas, o bloco não vai para a frente", afirmou Panizza.

Por outro lado, segundo ele, o impasse não tem sido obstáculo para que o Mercosul tenha alguma capacidade de negociar acordos com outros blocos comerciais, como os que envolvem a África do Sul e a Índia, por exemplo.

"Mas para o Mercosul, os efeitos desses acordos não são o principal. O principal é o comércio interno e nisso o bloco está com sérios problemas", concluiu o analista.

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