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Amorim vê instinto ‘de auto-flagelação’ no Mercosul | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, abriu nesta quarta-feira dois eventos em Belo Horizonte, que antecedem a reunião de cúpula do Mercosul em Ouro Preto, com uma mensagem de confiança quanto ao futuro do bloco. Amorim chegou a citar o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade para explicar o que descreveu como um “instinto de auto-flagelação”, que, segundo ele, impede que os avanços conquistados pelo Mercosul sejam reconhecidos. “Apenas nós é que às vezes padecemos um pouco desse instinto de auto-flagelação e vemos os problemas sem ver os horizontes que se abrem à nossa frente”, afirmou o chanceler brasileiro. “Ficamos às vezes um pouco como o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade: preocupados com a pedra que há no meio do caminho”, acrescentou, no discurso de abertura do 1º Fórum Empresarial do Mercosul. “Mas como ele mesmo soube fazer, porque era um homem capaz de sonhar, nós temos que ver também os horizontes, muito além dessa pedra que em determinado momento atormentou o nosso grande poeta de Itabira.” Reflexo O ministro das Relações Exteriores admitiu que o Mercosul vive, no momento, uma fase de dificuldades, mas disse que os problemas são reflexo da velocidade em que o bloco avançou nos últimos dez anos. “É natural que com os países tendo passado por crises, o comércio entre eles também reflita de alguma maneira essas dificuldades”, afirmou Amorim. “Mas é muito importante nós termos presente que essas dificuldades se inserem em um contexto de avanço, em um contexto de progresso.” “Não tenho notícia de bloco de integração econômica que tenha avançado tão rapidamente como o Mercosul”, acrescentou. Um dos temas mais delicados para o futuro do bloco, a proposta argentina de instituir salvaguardas permanentes nas relações comerciais bilaterais com o Brasil, não faz parte da pauta oficial das reuniões do Mercosul em Belo Horizonte e Ouro Preto. Mesmo assim, o chanceler comentou as diferenças comerciais entre Brasil e Argentina ao dizer que os problemas nas relações entre os dois países devem ser tratados de maneira construtiva. “Neste momento, elas (as diferenças comerciais) favorecem mais ao Brasil. Poderá haver momentos em que elas venham a favorecer, como ocorreu no passado, a Argentina”, afirmou o chanceler. “Temos que trabalhar com espírito construtivo, porque o Mercosul é um grande acervo positivo para todos nós.” Integração Antes de partir para a abertura da 27ª Reunião do Mercado Comum, Amorim também procurou relacionar os encontros do Mercosul em Belo Horizonte e Ouro Preto com a reunião em Cuzco, no Peru, que marcou a criação da Comunidade Sul-Americana de Nações. “De certa maneira, uma reunião é continuação da outra”, disse o ministro. “O que foi celebrado em Cuzco, e estará sendo celebrado agora, com a adesão de todos os países do grupo andino como membros-associados do Mercosul, é a integração da América do Sul, baseada na área de livre comércio que abrange toda a região. E isso é algo notável.” “É algo que, se nós tivéssemos realizado há três ou quatro anos, teria nos ajudado muitíssimo até nas nossas negociações com a Alca, com a União Européia e nas próprias negociações com a OMC, porque nós estaríamos mais unidos frente ao mundo”, acrecentou o chanceler. Em meios às reuniões que fazem parte da programação da cúpula do Mercosul, os ministros de Economia e Relações Exteriores dos membros do bloco discutem a criação de um fundo com o objetivo de criar condições para investimentos em projetos estruturais na região. Os recursos do fundo poderão ser utilizados para o desenvolvimento dos sócios menores do Mercosul (Paraguai e Uruguai) e também em regiões da Argentina ou do Brasil que estejam passando por um desequilíbrio econômico e social, como o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Os sócios do Mercosul também discutem em Belo Horizonte a formalização de acordos para a redução de tarifas de importação no comércio com a Índia e os países da Sacu (sigla em inglês que identifica o grupo de nações do sul da África formado por África do Sul, Namíbia, Botsuana, Suazilândia e Lesoto). |
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