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Mercosul está 'bem abaixo do potencial', diz Kirchner | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, afirmou na reunião de cúpula do Mercosul, em Ouro Preto, que tem a "impressão" de que o bloco está "bem abaixo do potencial" da região. "O nível de compromisso que os presidentes manifestam em cada cúpula não condiz com os avanços posteriores", disse Kirchner. "As decisões presidenciais não se refletem nas mesas de negociações posteriores, em que parecem prevalecer os problemas conjunturais locais sobre a perspectiva estratégica regional." Sem citar diretamente a proposta argentina de instituir salvaguardas no comércio bilateral com o Brasil para proteger a indústria de seu país, o líder argentino disse que o Mercosul precisa atuar de acordo com as dificuldades apresentadas por cada etapa de desenvolvimento do bloco. "É necessário distinguir a etapa inicial, mais valiosa e marcada pela redução automática de tarifas, da etapa atual, em que muitos advertem quanto a uma certa letargia e que evidentemente tem muito mais dificuldades", afirmou. Mensagem pragmática O discurso de Kirchner destoou um pouco do tom otimista que marcou o pronunciamento da maioria dos outros líderes que participaram do encontro desta sexta-feira. O presidente argentino optou por uma mensagem pragmática. "Devemos ter absolutamente claro que o importante são os objetivos, não os instrumentos", disse. "Os instrumentos podem e devem ser corrigidos quando são insuficientes ou ineficazes, e devem ser criados quando não existem para concretizar os objetivos." Néstor Kirchner declarou ainda que o Mercosul precisa se constituir em um bloco de assistência recíproca, sem ignorar "assimetrias" e prejudicar setores internos dos países que integram o grupo. "O Mercosul é nosso bloco de preferência regional, mas os benefícios não podem ter uma só direção", concluiu o presidente argentino. Ouro Preto 2 A reunião de cúpula de Ouro Preto foi comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que descreveu o encontro semestral do Mercosul como uma "data histórica". Lula lembrou o aniversário de dez anos do Protocolo de Ouro Preto, que conferiu ao Mercosul o status de união aduaneira, e o 174° aniversário da morte de Símon Bolívar, líder da luta pela independência de países sul-americanos no século 19. O presidente afirmou que, ao fazer um balanço da última década, o Mercosul tem muito a comemorar. "Ganha cada vez mais atualidade a afirmação de que o Mercosul é, mais do que uma opção, um destino", disse. Lula disse ainda que o Mercosul adquiriu "um poder enorme de atração" e afirmou estranhar "vozes pessimistas" que magnificam "dificuldades e percalços naturais em qualquer processo de integração". Acordos A cúpula desta sexta-feira também marcou o encerramento do mandato de seis meses do Brasil na Presidência rotativa do bloco – papel que será exercido nos próximos seis meses pelo Paraguai. A reunião em Ouro Preto também serviu para formalizar os acordos fechados nos últimos dois dias durante encontros de ministros do bloco em Belo Horizonte. Além de negociar a eliminação da dupla cobrança da tarifa de importação a produtos de fora do Mercosul, os ministros do bloco concluíram a negociação de acordos comerciais com a Índia e com a Sacu (sigla em inglês que identifica o grupo de países do sul da África formado por África do Sul, Botsuana, Lesoto, Namíbia e Suazilândia). Os países do Mercosul também concordaram com a adesão de Venezuela e Equador como membros-associados do bloco – mesmo status de Chile, Bolívia e Peru. Os membros-associados participam da área de livre comércio, mas não aplicam as mesmas tarifas de importação que os quatro membros plenos (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), nem fazem parte de outros acordos ou mecanismos do bloco. Mercosul 'ampliado' A reunião de cúpula desta sexta-feira reuniu os chefes de Estado de oito dos dez membros do Mercosul 'ampliado'. Apenas os presidentes do Equador e da Colômbia não compareceram ao encontro em Ouro Preto, mas foram representados pelos ministros das Relações Exteriores de seus países. Em seu discurso, o presidente do Chile, Ricardo Lagos, sugeriu que o Mercosul considere a possibilidade de que os membros-associados possam participar de mecanismos do bloco como sócios plenos. "O mundo não vê o Mercosul como um simples bloco econômico e comercial. Construímos um Mercosul para aumentar a coesão social e para ter uma voz mais forte no mundo", disse Lagos. "O número de países associados é maior que o de plenos. No fundo, o Mercosul é um projeto de crescimento político", concluiu o presidente chileno. |
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