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Atualizado às: 03 de dezembro, 2004 - 12h42 GMT (10h42 Brasília)
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Filha de general morto celebra quebra da imunidade de Pinochet
O general chileno Carlos Prats, assassinado em 1974
Carlos Prats foi assassinado em Buenos Aires em 1974
Cecilia, a filha do general chileno Carlos Prats, assassinado em 1974, recebeu com emoção o veredicto que retira a imunidade parlamentar do ex-presidente Augusto Pinochet no caso de seu pai.

Na quinta-feira, o Tribunal de Apelações de Santiago do Chile retirou a imunidade de Pinochet para que ele possa ser julgado por sua suposta responsabilidade na morte do ex-comandante e chefe do Exército e de sua esposa, Sofía Cuthbert.

Cecilia e suas duas irmãs, Angélica e Sofía, processam o general Pinochet, acusando-o de ser o responsável pelo assassinato dos pais na explosão de um carro em Buenos Aires, na Argentina.

O general Prats, predecessor de Pinochet no comando do Exército e vice-presidente na gestão de Salvador Allende, estava exilado na Argentina e era um símbolo da oposição ao governo militar do Chile.

Leia a seguir trechos da entrevista da BBC com Cecilia.

BBC - Como você recebe este veredicto?

Cecilia - A verdade é que estou bastante emocionada e minha família valoriza muito esta decisão do Tribunal de Apelações. Agora se abre uma possibilidade para que Pinochet possa responder sobre a sua atuação neste crime.

BBC - Você não tem nenhuma dúvida sobre a participação intelectual do general Pinochet neste crime?

Cecilia - Neste processo de 30 anos não nos resta nenhuma dúvida de que, diante de um ato tão grave como um ataque terrorista contra um ex-comandante do Exército, o general Pinochet tem de estar intelectualmente envolvido. Por isso insistimos na queda da imunidade de Pinochet e, afinal, conseguimos essa possibilidade.

BBC - O que você espera agora?

Cecilia - Acredito que o juiz Solís precisa determinar isso, decidir em que momento vai pedir o interrogatório. Não sei se o lado de Pinochet vai apresentar algum recurso com base em seus exames médicos e dizer que ele está impossibilitado de depor. A verdade é que consideramos, pelos fatos que aconteceram nos últimos tempos, que ele está em condições de ser interrogado e dar as informações que precisamos.

BBC - Este caso tem um lado humano dramático, uma vez que a sua família e a do general Pinochet eram muito próximas.

Cecilia - Sim. Acho que o que se deve destacar mais nesse sentido é o fato de que um general do Exército possa estar envolvido num crime contra um camarada. Acho que isso é também muito forte para o país e para a instituição militar.

BBC - Agora, 30 anos após o crime, como você acha que as Forças Armadas recebem esta notícia?

Cecília - Com a tranqüilidade que mantivemos durante esses anos, conquistamos vários passos durante o processo. A verdade é que cada um dos resultados que conquistamos – como por exemplo a condenação de uma pessoa na Argentina e ter mais de sete processados aqui no Chile – são todos passos que valeram a pena. Também vemos isso como uma conquista para o país. De conquistar a verdade e a justiça para o país.

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