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Boa noite, Tom | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Tom Brokaw era o bom moço, o adolescente de bons modos, boa aparência, estudioso e confiável que jamais entrava em confusões nem tirava proveito das moças de Yanktown, um lugarejo na Dakota do Sul. Com apenas 22 anos, a mesma confiança que o bom moço transmitia aos seus bucólicos vizinhos estava sendo enviada eletronicamente pela televisão para milhões de desconhecidos. Brokaw era o apresentador do jornal local de Los Angeles. De lá ele foi cobrir a Casa Branca e depois entrou na equipe do programa matinal da rede NBC, o Today Show, uma espécie de Bom Dia Brasil, onde informava com menos formalidade e a mesma segurança. Há 21 anos, quando apenas três redes de TV dividiam a audiência americana, Tom Brokaw sentou na cadeira do âncora da NBC, da qual se despediu ontem. Deu furos, fez excelentes entrevistas e foi o único âncora americano cobrindo ao vivo a morte do muro de Berlim. Tempo e tecnologia Aos 64 anos, ele é o mais jovem dos âncoras das grandes redes. Dan Rather, da CBS, tem 73 e vai se aposentar em março. Peter Jennings tem 66 e nenhum plano de sair do ar. Os âncoras estão sendo tragados pelo tempo e pela tecnologia. Quando Brokaw começou sua carreira, a câmera que usava era com filme de 16 milímetros e sem som. Hoje ele fala a qualquer momento com seu correspondente em Bagdá, que em questão de segundos abre uma câmera eletrônica e joga a imagem no ar, ao vivo. Apesar do peso, os ancoras não conseguiram segurar a audiência. Ela está à deriva. No lugar deles, temos 24 horas de notícias por dia, via cabo ou satélite, e barcos anárquicos como os blogs atravessando mares nunca dantes navegados. Vamos sentir sua falta, Tom. Boa noite. |
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