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A vez e a voz de Condoleezza | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Era fácil gostar de Colin Powell. Um negro saído de um bairro pobre de Nova York que chegou a general, venceu uma guerra e se tornou Secretário de Estado com uma preciosa bagagem de segurança, simpatia e inteligência. Se tivesse entrado na disputa presidencial pelo partido republicano teria sido o primeiro negro com chances reais de chegar à Casa Branca. Saiu do poder menor do que entrou, mais próximo do soldado leal do que do general que criou a doutrina Powell, segundo a qual uma intervenção militar precisa ser bem definida, ter apoio internacional, força suficiente para cumprir a missão com limpeza e rapidez, e um plano claro de saída. Ele tentou convencer o presidente Bush a adiar a invasão do Iraque para 2005, depois da segunda posse, mas acabou sendo convencido a ir a ONU exibir um vidrinho dizendo que era apenas uma amostra de toneladas de antraz do perigoso arsenal de Saddam Hussein. Talvez tenha sido enganado pelos servicos de espionagem e com certeza foi até perdoado pelo enorme clube de admiradores entre líderes e diplomatas. Mas, entre liberais e conservadores americanos, o general perdeu sua estrela. Intimidade Sua sucessora, Condeleezza Rice, é a segunda mulher e a primeira negra secretária de Estado. Também veio de origem modesta, venceu na carreira acadêmica, é especialista em União Soviética, fiel conselheira da segurança nacional. Fala várias línguas, mas ao presidente ela só diz "yes". Ela se tornou íntima de George Bush, com quem passa fins de semana em Camp David e janta na Casa Branca. A intimidade e a confiança entre ela e o presidente têm sido comparadas às de John e Bobby Kennedy, e Nixon e Kissinger. Bobby usou a confiança íntima do presidente para acelerar a integração racial americana. E Kissinger mudou o mundo. |
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